domingo, 13 de abril de 2014

Instrumentos músicais criados por Leonardo da Vinci

Nesse dia 15 de abril comemorasse o aniversário de do grande gênio das artes Leonardo da Vinci e a Raposa Preppie presta uma homenagem em sua página blog a esse mestre!

Abaixo, três instrumentos criados por ele:

1 - A Lira da Braccio construída em prata, cuja a caixa acústica tinha formato de crânio de cavalo, foi um presente de Leonardo da Vinci para Ludovico Sforza - o Mouro. Ele foi oferecido em 1482, ano de sua chegada à Milão.

2 - O órgão de tubos de papel, com fole duplo e contínuo e teclado vertical foi inventado e descrito por Leonardo da Vinci no Código Madrid II. Ele representa uma revolução conceitual de enorme peso em sua época, antecipando em três séculos o acordeom moderno.

3 - Batizada por Leonardo da Vinci como "Viola Organista" este instrumento, descrito nos Códigos Madrid I e II, em "O Atlântico" e no "Manuscrito da França", representa o ápice da invenção leonardiana aplicada aos instrumentos musicais. Sua peculiaridade reside na possibilidade de se obter um grande número de sons sob o controle dos dez dedos, conseguindo assim, polifonias de expressividade ao se modificar a dinâmica e o som quando a corda vibra.
"Música é o alimento da alma e a mais brilhante das artes". (Leonardo da Vinci)
 * Publicado no blog RefFolk


A Europa nasceu na Idade Média?

Guilielmo Blaeuw, Europa, século XVIII
Com seu estudo sobre o passado, Le Goff quer participar da construção do presente, mas fica a pergunta: A Europa nasceu na Idade Média? 

Os debates acerca da adesão de novos países à Comunidade Européia, notadamente a Turquia, mostram as dificuldades de concretização do projeto de Europa subjacente à União Européia. Tais hesitações evidenciam o quanto há de arbitrário na noção de Europa. Que vem a ser a Europa? Quando se inicia sua história? Quais as bases de sua legitimidade? Jacques Le Goff aceita o desafio da questão: a Europa nasceu na Idade Média? A esta pergunta – que constitui o título francês da obra – o autor tenta responder afirmativamente a cada página.

Desde a década de 80, Le Goff passou a militar em favor da idéia de “Europa cultural”: unidade cultural ancestral que legitima a unidade econômica atual e os meios para sua efetivação. Tal legitimidade, deixa claro, se fundamenta na superioridade dos valores europeus, cujo humanismo e democracia são propostos ao mundo. A defesa da Europa reverte, assim, para aquela de uma certa globalização. Esta se caracterizaria igualmente pela difusão dos ideais europeus dos direitos do homem.

O texto foi concebido como um pequeno dicionário temático, realizando um apanhado geral das teses, métodos e teorias que marcaram as pesquisas do autor. Da junção entre a necessidade de defesa da “Europa cultural” e a Idade Média de Le Goff decorrem dificuldades. Estas não permitem ao autor realizar o esperado estudo das acepções históricas do termo “Europa”, o que deve ser atribuído a seu pequeno interesse para a comprovação da tese da obra. Assim, “Europa” permanece um termo vago – ora é o Ocidente, ora a cristandade, ora parece circunscrever-se à França e à Alemanha, ora inclui a Grécia para logo deixar de fazê-lo – cuja realidade é tecida a partir da afirmação da “europeicidade” dos temas de eleição do autor. Submetidos ao método da história global e à teoria da longa duração, estes elementos são perfilados sem que suas relações com a idéia de Europa sejam documentadas. 

As Raízes Medievais da Europa
Jacques Le Goff; Vozes; 384 págs.
Editado pela primeira vez em 2003, o livro apresenta-se como um, verdadeiro empreendimento europeu. Publicado simultaneamente na França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Itália, faz parte do projeto Faire de l'Histoire – coleção que pretende tratar de grandes temas da história européia. A despeito da resposta afirmativa à pergunta que constitui o título original da obra, esta começa com uma afirmação ponderada: “A Europa se constrói. É uma grande esperança”. O objetivo do estudo é portanto participar de uma construção do presente. A dificuldade de sustentar o empreendimento em um período recuado como o medieval, quando a noção de fronteira é incipiente e a amarração dos territórios e populações acontece fica evidente.

Resta ao leitor decidir se tem razão o autor ou aqueles que afirmam que, embora o termo “Europa” tenha uma longa história, a “idéia” de Europa é um fenômeno que tem como marco a Revolução Francesa – de onde derivam e se difundem os ideais modernos de direitos do homem, humanismo e democracia - e, mais recentemente, as disputas ideológicas em torno da reconstrução dos países destruídos pelas duas guerras mundiais.

Publicado por Néri de Barros Almeida (professora de história medieval da Unicamp) no blog Sentir com a Igreja em 07/05/12. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Poema de outono

Para celebrar a mudança de estação, um hai-kai de Mario Quintana e um trecho do poema "Volta o outono" de Pablo Neruda:
 
"Hai-Kai de Outono:
Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?"
 Mario Quintana

"O cavalo do velho outono tem a barba vermelha
e a espuma do medo lhe cobre as faces
e a aragem que o segue tem forma de oceano
e perfume de vaga podridão enterrada."

 Pablo Neruda 

domingo, 16 de março de 2014

As histórias precisam de você para fazer parte da vida das crianças

Livros da Coleção Itaú de Livros infantis em 2011 e 2012
Do zero aos 5 anos, as crianças vivem um momento fundamental do seu crescimento. Ler para uma criança nessa fase ajuda a desenvolver o raciocínio, o vocabulário e a imaginação dela. Nos últimos anos, instituições como o Banco Itaú já distribuiu gratuitamente mais de 30 milhões de livros e, em 2013, vai levar novas histórias para todo o Brasil. Mas a parte importante depende de você: leia para uma criança.

Peça sua Coleção Itaú de Livros infantis: www.itau.com.br/itaucrianca
Texto adaptado do Itaú.

O mundo inteiro de Liz Garton Scalon e Marla Frazee: A praia deserta, a noite tranquila, o dia de chuva, a horta, a cozinha e a família reunida... O que seria o mundo inteiro? Leia para uma criança: esta obra com versos rimados retrata conceitos universais numa linguagem simples e delicada. Vencedor do prêmio Cadelcott Honor de melhor ilustração.
E o dente ainda doía de Ana Terra: Um jacaré folgado e largado não consegue descansar por causa de uma tremenda dor dente. E mesmo com a ajuda de outros bichos... o dente ainda doía! Leia para uma criança: e descubra como essa divertida história brinca e educa com números em um ritmo gostoso de lenga-lenga. 
Mas para esse humilde blogueiro nada tira a vontade de ler um bom livro infantil, mesmo que esteja em galego. Acreditem tive que adicionar a conta de usuário da editora no Facebook para tentar comprar esse livro.

sábado, 8 de março de 2014

Poemas e poesias de Carlos Drummond de Andrade - 02

Drummond, sempre atual, sempre...essencial.

Aproveitando o tema sobre a greve dos garis Drummond nos ensina.

A lei o diz (decreto-lei que
nem sei se pode assim chamar-se,
em todo caso papel forte,
papel assustador). Tome cuidado,
lixeiro camarada, e pegue a pá,
me remova depressa este monturo
que ofende a minha vista e o meu olfato.

Você já pensou que descalabro,
que injustiça ao nosso status ipanêmico, lebloniano,
sanconrádico,
barramárico,
se as calçadas da Vieira Souto e outras conspícuas
vias de alto coturno continuarem
repletas de pacotes, latões e sacos plásticos
(estes, embora azuis), anunciando
uma outra e feia festa: a da decomposição
mor das coisas do nosso tempo,
orgulhoso de técnica e de cleaning?

Ah, que feio, meu querido,
essa irmanar de ruas, avenidas,
becos, bulevares, vielas e betesgas e tatatá
do nosso Rio tão turístico
e tão compartimentado socialmente,
na mesma chave de perfume intenso
que Lanvin jamais assinaria!

Veja você, meu caro irrefletido:
a Rua Cata-Piolho, em Deus-me-livre,
equiparada à Atlântica Avenida
(ou esta àquela)
por idêntico cheiro e as mesmas moscas
sartrianamente varejando,
os restos tão diversos uns dos outros,
como se até nos restos não houvesse
a diferença que vai do lixo ao luxo!

Há lixo e lixo, meu lixeiro.
O lixo comercial é bem distinto
do lixo residencial, e este, complexo,
oferece os mais vários atrativos
a quem sequer tem lixo a jogar fora.
Ouço falar que tudo se resume
em você ganhar um pouco mais
de mínimos salários.
Ora essa, rapaz: já não lhe basta
ser o confiscável serviçal
a que o Rio confere a alta missão
de sumir com seus podres, contribuindo
para que nossa imagem se redobre
de graças mil sob este céu de anil?

Vamos, aperte mais o cinto,
se o tiver (barbante mesmo serve)
e pense na cidade, nos seus mitos
que cumpre manter asseados e luzidos.

Não me faça mais greve, irmão-lixeiro.
Eu sei que há pouco pão e muita pá,
e nem sempre ou jamais se encontram dólares,
jóias, letras de câmbio e outros milagres
no aterro sanitário.

E daí? Você tem a ginga, o molejo necessários
para tirar de letra um samba caprichado
naqueles comerciais de televisão,
e ganhar com isto o seu cachê
fazendo frente ao torniquete
da inflação.

Pelo que, prezadíssimo lixeiro,
estamos conversados e entendidos:
você já sabe que é essencial
à segurança nacional, e por que não, à segurança multinacional.
 
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 5 de março de 2014

Poemas e poesias de Carlos Drummond de Andrade



“Gosto de gente com a cabeça no lugar, idealismo nos olhos e os dois pés no chão da realidade.


Gosto de gente que ri, se emociona com uma carta, um telefonema, uma canção suave, um filme, um livro, um gesto de carinho, um afago.


Gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais, admira paisagens...


Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir, ternuras, compartilhar vivências e dar espaço para emoções dentro de si...


Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir dos compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.


Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.


Gente de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Com muito amor dentro de si.


Gente que erra e reconhece, cai e levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos seus próprios erros...


Gosto muito de gente assim...  e desconfio que é deste tipo de gente que Deus também gosta!”

Carlos Drummond de Andrade