segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Treze de setembro não é treze de maio...

Uma amostra desse horror.
Hoje cedo vi no twitter uma polêmica a respeito de um livro infantil sobre Luiz Gama sobre crianças escravas numa viagem num navio negreiro em uma linguagem muito suavizada. pro tema. Logo, durante o dia inteiro conforme me informava melhor dava pra perceber que não havia condições de se manter neutro.

Desnecessário dizer que para um livro ser peblicado é necessário uma equipe de revisores e um texto para ser aprovado é revisado, corrigido e caso seja um livro infantil. Eu sempre falo que os livros como os de Monteiro Lobato, ou os de Hergé, deveriam ser comentados por professores e pesquisadores devido ao seu conteúdo racista pelo seu contexto histórico devido ao pensamentos e práticas na época.

Retornando ao texto, gostaria que atentassem ao fragmento extraído do livro sobre Luiz Gama: 

“Eu, a Getulina e as outras crianças estávamos tristes no começo, mas depois fomos conversando, daí passamos a brincar de pega-pega, esconde-esconde, escravos de Jó (o que é bem engraçado, porque nós éramos escravos de verdade), e até pulamos corda, ou melhor, corrente”, diz o trecho. 

Trata-se de um texto de um livro infantil mas pelo fato dos personagens serem negros relatando a viagem ao Brasil onde seriam vendidas como escravas mas de uma forma tão natural que é absurdo dizer que um texto numa ocasião dessas não deveria ter sido revisado pelas equipes de revisão editorial e alertado aos dois autores sobre isso. Não se trata, de um livro publicado na década de 20 ou 30, pois tal coisa a sociedade estava acostumada mas sim um livro a pouco tempo para um público infantil que poderia ser influenciado sob a narrativa de doutrinação ideológica desse governo genocida.

E isso após uma crítica pesada da dona da Companhia das Letras Lili Schwartz e ainda tendo uma filha como editora da Companhia das Letrinhas (atual selo de livros infantis) com o livro sendo reeditado 10 vezes e vindo de outra editora quando adquiriu a Editora Objetiva, que publicou pela primeira vez.

Fontes:

* https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2021/09/11/cia-das-letras-recolhe-livro-que-mostra-crianca-brincando-em-navio-negreiro.htm

https://revistagalileu.globo.com./Cultura/noticia/2021/09/livro-que-mostra-criancas-em-navio-negreiro-e-retirado-do-mercado-entenda.html

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Pra que não fique esquecido

É hora de recordar as palavras de Ulysses Guimarães, o grande estadista, na promulgação da Constituição de 1988, libelo de democracia e liberdade do país depois de 21 anos de ditadura, mortes, terror, sangue e mordaça:

Parada de tanques no Golpe de 1964.

"A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma. Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca.

Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do Parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério. Quando após tantos anos de lutas e sacrifícios promulgamos o Estatuto do Homem da Liberdade e da Democracia bradamos por imposição de sua honra. Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo. Amaldiçoamos a tirania aonde quer que ela desgrace homens e nações. Principalmente na América Latina".

(Fabiano Contarato apud Randolf Rodrigues, apud Ulysses Guimarães)

De seu humilde escritor e editor desse blog, carpem diem e aproveitem o feriado.

sábado, 28 de agosto de 2021

À espera dos bárbaros

Konstantinos Kaváfis
Konstantínos Kaváfis, no alfabeto grego: Κωνσταντίνος Πέτρου Καβάφης, foi um poeta grego, geralmente considerado o maior nome da poesia em idioma grego moderno. Por vezes, seu nome aparece creditado como Constantine P. Cavafy.

Nasceu a 29 de abril de 1863 (Alexandria, Egito)
Morreu em 29 de abril de 1933 (Alexandria, Egito)

Entre seus poemas se destaca À espera dos bárbaros:

O que esperamos nós em multidão no Forum?

Os Bárbaros, que chegam hoje.

Dentro do Senado, porque tanta inacção?
Se não estão legislando, que fazem lá dentro os senadores?

É que os Bárbaros chegam hoje.
Que leis haveriam de fazer agora os senadores?
Os Bárbaros, quando vierem, ditarão as leis.

Porque é que o Imperador se levantou de manhã cedo?
E às portas da cidade está sentado,
no seu trono, com toda a pompa, de coroa na cabeça?

Porque os Bárbaros chegam hoje.
E o Imperador está à espera do seu Chefe
para recebê-lo. E até já preparou
um discurso de boas-vindas, em que pôs,
dirigidos a ele, toda a casta de títulos.

E porque saíram os dois Cônsules, e os Pretores,
hoje, de toga vermelha, as suas togas bordadas?
E porque levavam braceletes, e tantas ametistas,
e os dedos cheios de anéis de esmeraldas magníficas?
E porque levavam hoje os preciosos bastões,
com pegas de prata e as pontas de ouro em filigrana?

Porque os Bárbaros chegam hoje,
e coisas dessas maravilham os Bárbaros.

E porque não vieram hoje aqui, como é costume, os oradores
para discursar, para dizer o que eles sabem dizer?

Porque os Bárbaros é hoje que aparecem,
e aborrecem-se com eloquências e retóricas.

Porque, sùbitamente, começa um mal-estar,
e esta confusão? Como os rostos se tornaram sérios!
E porque se esvaziam tão depressa as ruas e as praças,
e todos voltam para casa tão apreensivos?

Porque a noite caiu e os Bárbaros não vieram.
E umas pessoas que chegaram da fronteira
dizem que não há lá sinal de Bárbaros.

E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros?
Essa gente era uma espécie de solução.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

O putch de Bolsonaro

Hoje é bem provável que ocorra um GOLPE MILITAR tão pretendido pelo presidente Bolsonaro. Tanques da marinha, alegando que o comboio da Operação Formosa vem do Rio e "passará por Brasília, a caminho" do campo de instrução de Formosa-GO mas o Google sugere algo diferente.


Se notarem bem, a suposta rota não passará por Brasília mas irá numa base de mísseis num provável abastecimento. Jair planejou isso, Com a adesão dos tanques do exército e da aeronáutica, está mas que claro que ele pretende cercar e fechar o congresso e o STF e dar início a sua ditadura e o fim da democracia.

“Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês”

Chico Buarque

terça-feira, 27 de julho de 2021

Autores e obras: Clara Averbuck

Clara Averbuck
Clara Averbuck é escritora e tem nove livros publicados. Já teve a obra adaptada para cinema e teatro e foi publicada em Portugal e na Inglaterra. Escreveu para inúmeros sites, revistas e jornais e foi uma das idealizadoras do site Lugar de Mulher, um dos principais agentes a fomentar o debate sobre as questões de gênero criado em 2014. Colabora com revistas como Marie Claire e Revista Fórum.

Toureando o Diabo é o sétimo livro de Clara Averbuck. Nele, a escritora revive Camila, personagem de seus dois primeiros romances. Camila é uma escritora que procrastina e tenta escrever enquanto conta sobre a vida turbulenta, os amores errados, a retomada da vida de solteira e tudo que acaba encontrando pela frente na zona da vida de mulher e artista.

O livro é ilustrado pela artista Eva Uviedo e combina texto e desenho para tratar de temas como amor, relacionamentos, liberdade e feminismo. 

Para quem quiser comprar os outros livros em pdf, falar direto com a autora. Pode também assinar um dos planos do apoia.se/caverbuck ou manda direct aqui. Clara está na ENTRE EDITORAS e as versões impressas existem mas acabou. 

sábado, 26 de junho de 2021

Humor de Sexta (parte 2)

Da briga entre a desqualificada Carla Zambelli contra o ilustre Omar Aziz que dedicou em seu nome a música "Espanhola" de Flávio Venturini me lembrou como certos coelhos não deveriam sair da toca para não fazerem besteira. Vejamos...



Vou tentar outra...

"De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta".
Cálice (Chico Buarque)

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Escute, Zé NInguém!


Escute, Zé Ninguém!
 é a obra mais "popular" de Wilhelm Reich, em que ele mostra o que o homem comum faz a si mesmo: como sofre, como se revolta, como homenageia seus inimigos e mata seus amigos, como sempre que conquista o poder em "nome do povo" ele o utiliza mal e transforma em algo mais cruel do que a tirania à qual estava subjugado anteriormente, nas mãos da elite.

"És "livre" apenas num sentido; livre da educação que te permitiria conduzires a tua vidacomo te aprouvesse, acima da autocrítica."