segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Maio 1964 por Ferreira Gullar



Na leiteria a tarde se reparte

Em iogurtes, coalhadas, copos
de leite
e no espelho meu rosto. São
quatro horas da tarde, em maio.

Tenho 33 anos e uma gastrite. Amo
a vida
que é cheia de crianças, de flores
e mulheres, a vida,
esse direito de estar no mundo,
ter dois pés e mãos, uma cara
e a fome de tudo, a esperança.
Esse direito de todos
que nenhum ato
institucional ou constitucional
pode cassar ou legar.

Mas quantos amigos presos!
quantos em cárceres escuros
onde a tarde fede a urina e terror.
Há muitas famílias sem rumo esta tarde
nos subúrbios de ferro e gás
onde brinca irremida a infância da classe operária.

Estou aqui. O espelho
não guardará a marca deste rosto,
Se simplesmente saio do lugar
ou se morro
se me matam.
Estou aqui e não estarei, um dia,
em parte alguma.
Que importa, pois?
A luta comum me acende o sangue
e me bate no peito
como o coice de uma lembrança.

(Feirreira Gullar)



terça-feira, 16 de novembro de 2021

Molière e Richelieu

O cardeal Richelieu tinha 57 anos, decrépito e fraco, quando Molière publicou sua primeira comédia, aos 21 anos, e imediatamente ficou famoso. É bem possível que uma cena como a que Adrien Moreau retratou possa ter ocorrido, mas tenha acontecido ou não, aqui temos isso na tela. Era moda da época os príncipes e nobres patrocinarem a literatura e a arte, e temos diante de nós uma imagem do período de Luís XIV, correta nos trajes e na decoração, e valiosa como um excelente retrato do grande cardeal. Os cortesãos devem, é claro, seguir a deixa do Cardeal, cuja plácida atenção indica sua apreciação pelo jovem comediante, mas é muito evidente que, por seus próprios méritos, o ator mantém seu público encantado.



sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Qual era o nome do gato preto do cardeal Richelieu?

Richelieu e Lúcifer
O Cardeal Richelieu (1585 - 1642) imortalizado por Alexandre Dumas, em Os Três Mosqueteiros, foi na verdade um amante dos gatos, em uma época (séc. XVI e início do XVII) onde acreditava-se que os gatos eram a representação do demônio. Richelieu, apesar de ter sido um feroz perseguidor de bruxas, mandava secretamente seus criados recolherem gatos na rua e os mantinha em um gatil construído especialmente para eles em sua residência, onde viviam 14 animais, em um quarto ao lado do seu, e comiam uma dieta especial: somente o mais caro foie gras, servido duas vezes ao dia por dois criados, cujas funções eram a de servir e cuidar dos animais.

O primeiro de todos era Soumise, o favorito de Richelieu (o gato alaranjado), e também Lucifer, um persa negro como carvão.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Scorpions - Wind of change

"I follow the Moskva
Down to Gorky Park
Listening to the wind of change
An August summer night
Soldiers passing by
Listening to the wind of change"

Scorpion


sábado, 23 de outubro de 2021

O inimigo invisível

Trecho destacado de "Os Sertões"

Dá pra ver que a sanha de nossos militares em criar inimigos invisíveis é uma tradição antiga. Abaixo, trecho de "Os Sertões", onde é narrado a Guerra de Canudos. A motivação era defender a República contra os monarquistas, que na verdade eram apenas gente pobre e faminta. (texto retirado no twitter).

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Machado de Assis e a Igreja do Diabo

Em 1884, Machado de Assis (Machadão, para os mais íntimos) escreveu o conto “A Igreja do Diabo”. A história tem mais de um século, mas mesmo assim as semelhanças com o que vivemos atualmente no Brasil de Bolsonaro é gritante… Quem conta os detalhes é o pessoal do Medo e Delírio em Brasília, em mais um episódio da parceria com o Intercept Brasil. (texto do Intercept Br no youtube)

A Igreja do Diabo é um conto do livro Histórias sem Data de Machado de Assis. "No conto, Diabo decide fundar sua própria religião, em que as pessoas seriam livres para praticar impiedades. Todavia a tendência humana à contradição leva seus adeptos a praticarem o bem".

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Puta vida

"A vida é filha da Puta, a Puta é filha da vida. Eu nunca vi tantos filhos da Puta, na Puta da minha vida".

Bocage