sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Carta ao Senhor Futuro, por Eduardo Galeano

Carta ao Senhor Futuro, por Eduardo Galeano

Prezado Senhor Futuro,

Com a minha maior consideração:
Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.
Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.
E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.
E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.
Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.
Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.
Saúda-te atentamente,

Um Terrestre 

(Publicado em Ao Arqueólogo do Futuro, da Agência Carta Maior)

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

O Berço de Cristo

A igreja da Natividade é o local exato onde, segundo teólogos da Igreja Católica nasceu Jesus Cristo, há mais de 2000 anos, em Belém. A lápide-simbólica (uma estrela de prata localizada na igreja marcando o local onde Jesus nasceu) está no chão da igreja perto do altar. Num Natal, ela foi adornada com a imagem do menino Jesus, mantida permanentemente iluminada pelo fogo rosado de duas lamparinas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A Realidade de Madhu

A pandemia descrita na pág. 183
Nos meses de maio enquanto rolava a história do Ovni de Magé, soube desse incrível livro que fala sobre uma personagem que foi abduzida durante uma pandemia justamente no ano de 2020. O engraçado é que a autora (uma ex-comissária da Varig) comentou que a história baseada durante a pandemia de coronavírus em 2020 foi pura coincidência e apesar dos fatos e dos seres discutidos no canal da Carol Capel como pleiardianos e reptilianos, não foram previstos e muito menos o vírus é psicossomático.

Por outro lado, como é comum que pessoas que trabalham em aviões serem suscetíveis a experiências semelhantes e muitas vezes nem se lembram. O que só descobrimos quando ocorre os feitos.

domingo, 22 de novembro de 2020

Considerações sobre o racismo no Brasil

Para quem não entendeu a razão do dia da consciência negra, deixo a reflexão dada por Inez Santos no twitter:

  • 1837 - 1ª lei da educação (negros ñ podiam ir à escola)
  • 1850 - Lei das terras (negros ñ podiam ter propriedade!)
  • 1871 - Lei do Ventre Livre (quem nascia livre?)
  • 1885 - Lei do Sexagenário (quem sobrevivia para ser livre?)
  • 1888 - Abolição, foram 388 anos de escravidão. 
  • 1890 - Lei dos vadios e capoeiras, os que circulavam pelas ruas sem comprovar trabalho e residência eram presos, isso é ser "livre"? Imagina a cor da população carcerária naquele tempo, e hoje, é mesma cor predominante nos presídios!
  • 1968 - Lei do Boi. A 1ª lei de cotas não foi para negros, atendia os filhos de donos de terra que tinham vagas nas escolas técnicas e universidades. (volte e releia sobre a lei de 1850!!!) 
  • 1988 - A Constituição. Após 488 anos foi preciso a Constituição pontuar que racismo é crime! Na maioria das ocorrências se minimiza o racismo enquanto injúria racial, sem punição. 
  • 2001 - Conferência de Durban. O Estado reconhece ter que fazer políticas de reparação e ações afirmativas mas, após décadas de lutas buscando esse reconhecimento, até hoje tem quem ignore. 
  • 2003 - Lei 10639-. As diretrizes e bases da educação nacional inclui no currículo oficial a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afrobrasileira" (que convenhamos não é cumprida) 
  • 2009 - 1ª Política de Saúde da População Negra. Que segue sendo negligenciada e violentada. Quem são as maiores vítimas da violência obstétrica no sistema de saúde? 
  • 2010 - Lei 12288. Estatuto da Igualdade Racial (num país que nega a existência do racismo) 
  • 2012 - Lei 12711. Cotas nas universidades. A revolta da casa grande sob um falso pretexto meritocrata.

Data das reformas neoescravistas: 

  • 2016: aprovação da lei do teto de gastos públicos. 
  • 2017: reforma do ensino médio, reforma trabalhista. 
  • 2018: terceirização irrestrita, 
  • 2019: reforma previdenciária e carteira verde e amarela.
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

No dia que o morro descer e não for carnaval

Um negro foi morto na véspera do Dia da Consciência Negra. Um negro foi morto no supermercado Carrefour de Porto Alegre. João Alberto foi assassinado por um mal entendido(!?) entre ele e uma funcionária do supermercado, que chamou dois seguranças (um deles policial) e o socam até a morte.

Um dia a população pobre fará justiça como os afroamericanos fizeram após a morte de George Floyd. No dia que o morro descer e não for carnaval, quem sabe não se dará razão a esse samba.


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Destaques de novembro 2020

Relançamento do Best Seller do Henfil, em um depoimento ao Tárik de Souza. Neste livro o cartunista, escritor e jornalista Henfil, fala sobre o seu processo criativo, e mostra sua visão sobre o comportamento político do povo brasileiro e de seus governantes. Com seu humor afiado, seu trabalho ainda hoje é considerado incrivelmente atual. Não esquecendo é lógico a brilhante condução do Jornalista e Crítico Musical Tárik de Souza. Leitura imperdível.

 

Também como destaque o livro Urubu e o Flamengo. No livro, Urubu e seus companheiros - o vascaíno Bacalhau, o tricolor Pó-de-arroz e o botafoguense Cri-Cri, - destaques neste livro, que reúne tiras em ponderadas reflexões sobre o futebol pelo humor nacional.