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domingo, 20 de março de 2022

Conheçamos o nosso Cabo Bojador e atravessá-lo-emos

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena. 
Quem quer passar além do Bojador* 
Tem que passar além da dor. 
Deus ao mar o perigo e o abismo deu, 
Mas nele é que espelhou o céu. 

Fernando Pessoa

Conheçamos então e nosso mar bojador para atravessa-lo.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

"O que há em mim é sobretudo cansaço" de Álvaro de Campos

"O que há
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.


A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.


Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...


E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço..."


9-10-1934
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 64.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Portugal pelos caminhos de Fernando Pessoa


Além de escritor, Fernando Pessoa (1888-1935) foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista,, comentador político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo tempo que produzia a sua obra literária em verso e prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos, objetode grande parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Em suma, Fernando Pessoa foi muitos.


"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagero ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes."
Ricardo Reis (Fernando Pessoa)

Foi oferecida no mês de outubro do ano passado uma viagem com o objetivo de percorrer onde o poeta que se tornou referência maior na literatura portuguesa de todos os tempos, onde sua obra é influenciada pela cidade onde viveu, Lisboa, e pela história e cultura de seu país. Além da visita aos lugares que compuseram o cotidiano de Fernando Pessoa em Lisboa, também Faro, onde teria nascido o seu heterônimio mais cultuado, Álvaro de Campos.

A viagem foi incluida por um curso de cinco aulas sobre a vida de Fernando Pessoa ministrada pela psicanalista, poeta e coordenadora do programa Cidades Literárias, Daisy Justus. Além da visita de monumentos ou atrações como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, Museu dos Coches, a Catedral de Évora e da Capela dos Ossos.