quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Marighella e a liberdade

Os versos de Liberdade foram escritos em 1939 e publicados no livro Poemas: rondó da liberdade, pela Brasiliense, em 1994.

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Chesterton e a eugenia

A ideologia nazista, o lobby abortista mundial e a “Cultura de Morte” denunciada por João Paulo II possuem todos uma raiz comum. Um movimento filosófico combatido por Chesterton há quase cem anos. A eugenia.

No início do século XX, logo após a I Guerra Mundial, essa ideia foi a grande moda entre as elites. Tradicionais famílias milionárias bancavam suas pesquisas. O jornal “The Nem York Times” a celebrou como o surgimento de uma “nova ciência”. Charles Elliot, reitor de Harvard, promovia a eugenia como solução para os problemas sociais. Cientistas elogiavam o “melhoramento da espécie humana” publicamente sem nenhum pudor. Nos anos 20, quase três-quartos dos livros de ciência do ensino médio americano ensinavam os princípios eugênicos. Além disso, juízes europeus e americanos aplicavam princípios eugênicos legalmente, possibilitando absurdos como esterilização forçada de populações pobres ou consideradas “fora dos padrões” (como diversas minorias étnicas).

No mundo anglófilo, a eugenia era uma unanimidade entre artistas, políticos e intelectuais. Chesterton foi uma voz absolutamente solitária ao ir na contramão e denunciar essa ideia, comprando uma briga contra toda a intelectualidade do seu tempo. Não se intimidou, e realizou uma crítica violenta e feroz, apontando a eugenia como a grande desgraça da era moderna.

Como aponta Dale Ahlquist, da American Chesterton Society, é provavelmente seu livro mais profético. Escrito logo após a I Guerra Mundial, quando ninguém poderia imaginar que um novo conflito viria, o livro combate as ideias que serviram de base para assassina ideologia nazista. Chesterton morreria em 1936, dois anos após Hitler se tornar o führer alemão, e três anos antes do início da guerra.

Como o próprio nome sugere, não é apenas a eugenia que apanha nesse livro. Também o socialismo recebe alguns dos golpes mais violentos de Chesterton, que também não poupa o capitalismo industrial. Chesterton vai na raiz da mentalidade materialista e ateísta que justifica a eugenia, mostrando como isso poderia ser usado para justificar toda sorte de atrocidades.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Dia de Fernanda (Abreu)

É incrível a nossa história Sem nenhuma prova concreta Só palavras que voam com o vento Imagens que eu guardo na memória Um segredo inviolável De uma paixão inflamável Mas que nunca, nunca incendeia Nem em noite de lua cheia... Fernanda Abreu

domingo, 2 de agosto de 2020

Dia de Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. — Fernando Pessoa, fevereiro de 1925.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Sonhando com a bruxa molhada de paixão

Acabaram de me dizer: "Pra que tanto ódio com um pobre garoto tentando publicar sua arte?" A arte: "História com personagem bruxa que fica mais poderosa a cada estupro que sofre".



Bom, eu aposto que, pela sensibilidade da proposta, o dito "artista" é homem. Se for mulher, acho ainda pior. Poderes de Bruxa intensificados por estupros?! Primeiro alerta: cultura do estupro escancarada (pq a vítima está pedido, p/ aumentar os poderes. E já vimos que não entende nada de bruxaria que é algo muito conectado ao empoderamento feminino. Parabéns pelo plot de merda! Fez um grande desserviço às mulheres e à humanidade!

Comentário de uma seguidora no twitter

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Memórias de Leocotea

Leocotea
Tinha uma certa raiva por uma pessoa há tempos atrás que me fizera crer que tinha me roubado algo que julgava ser mais precioso. Era uma pessoa, estava enamorada por ela mais jamais (por cegueira, minha) me conter ou ao menos negar o amor que sentia por ela e por isso não só a solidão ao me afastar e responsabilizar as duas pelos males que sentia naquele momento. Pois bem, isso passou a tanto tempo que ultimamente a pessoa amada h'algum tempo deixou a ser o meu norte. Já tinha de fato, mas outro fracasso amoroso havia, inevitavelmente, me recolocado ao ponto de partida. Nunca houve, entretanto, um reencontro e julgo que nem haverá pois acredito que essa pessoa deve ter casado e está com vida estável.

Por outro lado, essa segunda pessoa voltou recentemente a cruzar meu caminho como um gato vadio com quem deseja algum alimento ou alegrar a vida. Deixei ficar pois a cada ano que passa tenho, por meio do trabalho e das agruras da vida colecionado uma série de doenças que justificam a minha quarentena e curiosamente me lembrei do aniversário dela e também é de meu conhecimento em particular um blog onde ela tinha publicado alguns de seus poemas (este abaixo). Seu poema, Nostalgia, exemplifica o significado de nossas miseráveis vidas presos em casa, evitando o contágio, relembrando tempos que podem nunca mais voltar e percebermos como caminhos entrecruzados poderiam nos ter feito outras opções, outras escolhas que infelizmente o passado não pode trazer de volta.

Como hoje é aniversário dela e no último ano, justamente quando nos encontramos uma última vez, foge na memória alguns traços de que ela (de alguma maneira) gostava de mim mas não desejava se abrir, sair do confinamento que seu dever ao trabalho não queria revelar. Publico este poema dela pois de certa forma, também expressa meu sentimento aos tempos vividos por ela.

Nostalgia

Sinto saudade.
Saudade do tempo em que o seu sorriso preenchia o meu dia.
Saudade do cheiro de terra molhada.
Do orvalho da manhã.
Saudade de tempos os quais não me lembro, mas tenho certeza de que vivi. Saudade da minha cama, do café fresco, do pão quentinho.
Tenho saudade de quando eu não precisava forçar o sorriso.
Saudade.
Saudade do cheiro, da voz, do olhar.
Saudade de um toque que nunca senti, do beijo que nunca provei.
Tenho saudade de tantas coisas.
Saudade da brincadeira no parque e do sorvete no shopping.
Saudade dos livros, do cinema.
Saudade de quem me amou.
Saudade de quem nunca me amou.
Saudade do sorriso tímido, mas sincero.
Saudade da inspiração, dos sonhos e da amizade.
Apenas saudade.


F. MOTTA

domingo, 26 de julho de 2020

Mais uma de Drummond

Amar o perdido deixa confundido este coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do Não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão. (Carlos Drummond de Andrade)