quarta-feira, 21 de abril de 2021

Jean de La Fontaine e a lógica dos empresários capitalistas

O Lobo e o Cordeiro (por Jean de La Fontaine)

Um cordeiro estava bebendo água num riacho. O terreno era inclinado e por isso havia uma correnteza forte. Quando ele levantou a cabeça, avistou um lobo, também bebendo da água.

- Como é que você tem a coragem de sujar a água que eu bebo - disse o lobo, que estava alguns dias sem comer e procurava algum animal apetitoso para matar a fome.

- Senhor - respondeu o cordeiro - não precisa ficar com raiva porque eu não estou sujando nada. Bebo aqui, uns vinte passos mais abaixo, é impossível acontecer o que o senhor está falando.

- Você agita a água - continuou o lobo ameaçador - e sei que você andou falando mal de mim no ano passado.

- Não pode - respondeu o cordeiro - no ano passado eu ainda não tinha nascido.O lobo pensou um pouco e disse:

- Se não foi você foi seu irmão, o que dá no mesmo.

- Eu não tenho irmão - disse o cordeiro - sou filho único.

- Alguém que você conhece, algum outro cordeiro, um pastor ou um dos cães que cuidam do rebanho, e é preciso que eu me vingue. Então ali, dentro do riacho, no fundo da floresta, o lobo saltou sobre o cordeiro, agarrou-o com os dentes e o levou para comer num lugar mais sossegado.

Moral: A razão do mais forte é sempre a melhor

domingo, 14 de março de 2021

Uma Vovó Raposa para um Raposinho

Nas histórias do Lobo Mau e de Lobinho (da Disney) a personagem Granny Fox é a avó de Brer Fox. A personagem foi criada por George Davie (escritor) e Al Hubbard em 1966. Ela apareceu em contos americanos criados para os mercados da Europa e do Brasil. Sua primeira aparição em história publicada nos Estados Unidos foi em 1978. 

sábado, 6 de março de 2021

Para Adolf Eichmann, por Primo Levi

Escritor e poeta italiano Primo Levi narra a sua experiência como sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz foi retratada no livro É Isto um Homem? como o poema Para Adolf Eichmann

Corre livre o vento por nossas planícies,
Eterno pulsa o mar vivo em nossas praias.
O homem semeia a terra, a terra lhe dá flores e frutos:
Vive em ânsia e alegria, espera e teme, procria ternos filhos.

... E você chegou, nosso precioso inimigo,
Você, criatura deserta, homem cercado de morte.
O que saberá dizer agora, diante de nossa assembleia?
Jurará por um deus? Mas que deus?
Saltará contente sobre o túmulo?
Ou se lamentará, como o homem operoso por fim se
     lamenta,
A quem a vida foi breve para tão longa arte,
De sua terrível arte incompleta,
Dos treze milhões que ainda vivem?

Ó filho da morte, não lhe desejamos a morte.
Que você viva tanto quanto ninguém nunca viveu:
Que viva insone cinco milhões de noites,
E que toda noite lhe visite a dor de cada um que viu
Encerrar-se a porta que barrou o caminho de volta,
O breu crescer em torno de si, o ar carregar-se de morte.

20 de julho de 1960

Primo Levi nasceu no dia 31 de julho de 1919 em Turim. Químico e escritor, de família judaico-piemontesa, foi um sobrevivente de Auschwitz. Dessa condição se forjou toda sua obra, marcada por títulos como É isto um homem?Os afogados e os sobreviventesA tabela periódica A trégua. Escreveu também poesia, gênero com o qual procedeu sua estreia literária, em junho de 1946. Sua atividade de escrita permaneceu sempre marcada pelo retorno ao verso e no final dos anos 1970 chegou a publicar por conta própria e anonimamente trezentos exemplares que trazia 23 poemas, boa parte deles inéditos. Só uma década depois sua obra poética começa a circular com melhor clareza na Itália. Levi morreu no dia 11 de abril de 1987. 

(Publicado no blog 7faces)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Ode ao tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.

Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

O Tempo (por Mario Quintana)

sábado, 2 de janeiro de 2021

Curiosidades do ano novo

Sabem quem escreveu no jornal sobre o Ano Novo? Karl Marx. Vejam, amigos!

"Mas o ano de 1849 não se contenta com o costumeiro. Sua entrada assinalou-se com algo inédito, com uma felicitação de ano novo do rei da Prússia. Foi um voto de ano novo dado, não ao povo prussiano, também não “Aos meus queridos berlinenses”, mas sim “Ao meu exército”.

Esse trecho se encontra na obra em dois volumes que reúne artigos de Karl Marx e Friedrich Engels.Os textos foram publicados no jornal da Liga dos Comunistas, a Nova Gazeta Renana, no período da Revolução Alemã e da contrarrevolução na Europa, que compreende o 1º de junho de 1848 até o 19 de maio de 1849.


De acordo com as próprias palavras de Lívia Cotrim (a tradutora dos livros), os artigos reunidos na obra foram "o principal instrumento de ação política de Marx nas revoluções que então se desencadearam". 
Nesta última sexta-feira (01/01), Opera Mundi publica um dos artigos de MarxUma felicitação de ano novo, que está presente no volume um do livro.

(Texto do site Opera Mundi, adaptado)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

Carta ao Senhor Futuro, por Eduardo Galeano

Carta ao Senhor Futuro, por Eduardo Galeano

Prezado Senhor Futuro,

Com a minha maior consideração:
Estou lhe escrevendo esta carta para pedir-lhe um favor. O senhor saberá desculpar-me o incômodo.
Não, não tema, não é que queira conhecê-lo. O senhor há de ser muito solicitado, haverá tanta gente que quererá ter o prazer; mas eu não. Quando alguma cigana me toma a mão para ler-me o porvir, saio correndo em disparada antes que ela possa cometer tal crueldade.
E, no entanto, você, misterioso senhor, é a promessa que nossos passos perseguem querendo sentido e destino. E é este mundo, este mundo e não outro mundo, o lugar onde o senhor nos espera. A mim e aos muitos que não acreditamos nos deuses que nos prometem outras vidas nos mais longínquos hotéis de Mais Além.
E aí está o problema, senhor Futuro. Estamos ficando sem mundo. Os violentos o chutam, como se fosse uma bola. Jogam com ele os senhores da guerra, como se fosse uma granada de mão; e os vorazes o espremem, como se fosse um limão. A este passo, temo, mais cedo do que tarde, o mundo poderá ser não mais do que uma pedra morta girando no espaço, sem terra, sem ar e sem alma.
Disso se trata, senhor Futuro. Eu lhe peço, nós lhe pedimos, que não se deixe desalojar. Para estar, para ser, necessitamos que o senhor siga estando, que o senhor siga sendo. Que o senhor nos ajude a defender a sua casa, que é a casa do tempo.
Quebre-nos esse galho, por favor. A nós e aos outros: aos outros que virão depois, se tivermos depois.
Saúda-te atentamente,

Um Terrestre 

(Publicado em Ao Arqueólogo do Futuro, da Agência Carta Maior)

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

O Berço de Cristo

A igreja da Natividade é o local exato onde, segundo teólogos da Igreja Católica nasceu Jesus Cristo, há mais de 2000 anos, em Belém. A lápide-simbólica (uma estrela de prata localizada na igreja marcando o local onde Jesus nasceu) está no chão da igreja perto do altar. Num Natal, ela foi adornada com a imagem do menino Jesus, mantida permanentemente iluminada pelo fogo rosado de duas lamparinas.