domingo, 3 de julho de 2016

Sobre os mestres medievais autores de inventos atribuídos a Leonardo da Vinci

Li esse trecho muito interessante sobre como se faziam as construições na Idade Média. É realmente surpreendente de como esses construtores em suas guildas desevolviam seus saberes. Leiam essa parte obtida no blog Glória da Idade Média:

Em 1459, os mestres-pedreiros de Estrasburgo, Viena e Salzburg, reunidos em Ratisbona para redigir os estatutos profissionais de suas lojas, decidiram:

“Nenhum operário, nenhum mestre, nenhum parlier, nenhum jornaleiro ensinará a quem não for do nosso ofício nem fez jamais trabalho de pedreiro como tirar a elevação [alçado] a partir do plano” (J. Gimpel, Les bâtisseurs de cathédrales, Ed. du Seuil, Paris, 1958, p. 123.).

O parlier – forma germanizada de parleur – é, de certo modo, um contramestre encarregado de “falar” [parler] aos companheiros como representante e intérprete do arquiteto nos grandes canteiros de obras.

Em 1486, o arquiteto alemão Mathias Roriczer, em sua obra intitulada Livro da Construção Exata de Pináculos, explicou abertamente esse método, com o auxílio de desenhos que recordam os que Villard executara 250 anos antes, sem os considerar um segredo. O princípio da duplicação dos quadrados já se encontra no Tratado de Vitrúvio. Tanto Villard como Magister II conheciam certamente esse princípio. Vitrúvio diz-nos tê-lo descoberto ele mesmo num diálogo de Platão: o Menon. “Platão demonstrou destarte a duplicação, por meio de linhas desenhadas” (Vitrúvio, I, Introdução). Se o Carnet de Villard de Honnecourt nos faz pensar nos Cadernos de Leonardo da Vinci, isso não ocorre por mero acaso e a aproximação nada tem de fortuita.

Separados um do outro por dois séculos e meio, Villard, homem da Idade Média, e Vinci, homem da Renascença, tinham recebido praticamente a mesma formação e a mesma cultura: a das artes mecânicas. Ao redigirem apontamentos de trabalho, resultados de suas pesquisas pessoais, eles obravam em conformidade com os costumes de seu tempo. Conhece-se a existência de mais de 150 manuscritos técnicos que datam do final do século XIV e começo do século XVI. Da Vinci utilizou os tratados de seus antecessores e de seus contemporâneos, mas é admissível que ignorasse Villard e sua obra.

Foi recentemente provado que numerosas invenções atribuídas a Da Vinci já existiam nos escritos de engenheiros como Konrad Kyeser, nascido em 1366, Robert Valturio, nascido em 1413, e Francesco di Giorgio, nascido em 1439, escritos esses que Da Vinci conhecia todos. Anotou de seu próprio punho um texto de Giorgio. Como Villard, ele também leu Vitrúvio, cujas obras figuravam entre os volumes de sua biblioteca. Se Villard parece ter vivido de pleno acordo com os costumes do seu meio social e o status de sua profissão, Da Vinci reagiu violentamente à falta de consideração com que os humanistas trataram o técnico que ele era.

Relógio astronômico da catedral de Estrasburgo.
Os iluminadores de manuscritos prestaram aos arquitetos medievais uma homenagem apropriada, ao representarem Deus, o Pai, como um arquiteto-engenheiro, medindo o universo com um compasso gigantesco. Silenciosos mas pasmosos progressos: o Relógio Mecânico. A sociedade medieval entusiasmou-se pela mecanização e a pesquisa técnica, porque acreditava firmemente no progresso, um conceito ignorado no mundo antigo.

De um modo geral, os homens da Idade Média recusaram-se a respeitar as tradições que poderiam ter freado seu ímpeto criador, e Gilbert de Tournai escrevia:

“Jamais encontraremos a verdade se nos contentarmos com o que já está descoberto... Os que escrevem antes de nós não são senhores, mas guias. A verdade está aberta a todos, ela não foi ainda inteiramente possuída”. (Gimpel, Les bâtisseurs de cathédrales, p. 163)

E Bernard, mestre da escola episcopal de Chartres, de 1114 a 1119, acrescentava:

“Somos anões empoleirados nos ombros de gigantes.
“Por isso, vemos mais que eles e mais longe que eles, não porque a nossa vista seja mais aguda ou nossa estatura mais elevada, mas porque eles nos carregam no ar e nos elevam a toda a sua gigantesca altura”. (J. Le Goff, Les intellectuels au Moyen Age, ed. du Seuil, Paris, 1957, p. 17 )

A atitude de um Gilbert de Tournai e de um Bernard de Chartres levou os homens dessa época a encararem as invenções como coisa normal e a aceitarem a ideia de que haveria sempre no futuro novas invenções. A ambição dos inventores não conhecia limites, sua imaginação ignorava fronteiras e, no entanto, de todas as máquinas extravagantes que conceberam e por vezes realizaram, uma simboliza a sua “pesquisa” científica: o relógio.

Se a teoria de Lewis Mumford sobre a origem beneditina dos relógios mecânicos é hoje controvertida, as opiniões desse autor sobre o papel da medida do tempo no desenvolvimento da civilização continuam válidas:

“A máquina-chave da idade industrial moderna não foi a máquina a vapor, foi o relógio. Em cada fase do seu desenvolvimento, o relógio é o fato saliente e o símbolo da máquina.
“Ainda hoje, nenhuma outra máquina é tão onipresente. Assim, no começo da técnica moderna, apareceu profeticamente a primeira máquina automática precisa que, após alguns séculos de esforços, iria pôr à prova o valor dessa técnica em cada ramo da atividade industrial.
“Permitindo a determinação de quantidades exatas de energia (portanto, a padronização), a ação automática e, finalmente, o seu próprio produto, a saber, um tempo exato, o relógio foi a primeira máquina da técnica moderna.
“Conservou a preeminência em todas as épocas. Possui uma perfeição a que as outras máquinas aspiram” (L. Mumford, Technique et civilisation, ed. du Seuil, Paris, 1950, pp. 23-24.).

(Autor: Jean Gimpel, “A revolução Industrial da Idade Média”, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1977, 222 páginas)


sábado, 2 de julho de 2016

Testemunhas da Guerra

Noites Prussianas
Aleksandr Solzhenitsyn, um capitão do segundo front bielorrusso do exercito vermelho criou um poema chamado "Noites Prussianas", em que ele contava os eventos que observou durante a campanha da Prússia Oriental, revelando praticas abomináveis que parte do exercito vermelho fez na Alemanha, como vingança ao que os alemães fizeram na união soviética. O fato de ter critico as ações do exército fez com que ele fosse preso e mandado para um gulag, onde terminou o livro, sendo que ele disse que a composição foi essencial para que ele sobrevivesse ao gulag, ele foi solto em 1953 e exilado para a Sibéria, depois sendo expulso da União Sviética em 1974 e retornou a ela em 1994, morrendo em 2008 em Moscou.

Eis parte do poema de 12 mil linhas:

A pequena filha no colchão,
Morta. Quantos estiveram nela
Um pelotão, uma companhia talvez?
Uma garota foi transformada em uma mulher,
Uma mulher transformada em um corpo
Isso tudo veio com simples frases:
Não esqueça! Não perdoe!
Sangue por sangue! Dente por dente.

domingo, 15 de maio de 2016

A Bíblia de Veneza

A Bíblia de Veneza—Novo Testamento, lançada pela Paulus Editora, é a tradução mais bela da arte cristã – em suas múltiplas formas. O livro traz em cada página uma verdadeira mensagem é expressa por meio de trabalhos refinados dos mosaicos, que ilustram as paredes da Basílica de São Marcos, a mais famosa Igreja e exemplo de arte bizantina de Veneza, na Itália.

O volume em suas dimensões: com 28 cm x 38 cm, apresenta papel diferenciado, encadernação capa dura e folhas com o corte dourado em cada página. A edição especial contém a versão completa do Novo Testamento.

Em cada capítulo bíblico é possível meditar e contemplar os acontecimentos das sagradas escrituras, por meio das imagens e cores reais dos mosaicos esculpidos nas paredes da Basílica. As figuras presentes na obra dialogam com todos os homens, e revelam um catecismo que, por sua vez, fala por si e traz os ensinamentos da palavra.

A Bíblia de Veneza apresenta a versão da Nova Bíblia Pastoral, publicada pela Paulus em 2014, e inclui um dispositivo de notas ao texto para cada leitura, bem como as explicações das imagens e descrições de cada mosaico. Assim, são oferecidos ao leitor os dados essenciais para reconhecer os caminhos visuais no interior da Basílica.

Segundo os organizadores, a Bíblia de Veneza é a própria Basílica tomada no seu conjunto. A afirmação é verdadeira, mas ainda assim é preciso entendê-la corretamente, explicitando o seu sentido. O luxuoso exemplar é indicado como um presente requintado, ou para colecionadores e pessoas que apreciam arte, História e os ensinamentos cristãos.

Resenha do livro O Alienista de Machado de Assis

Recentemente comprei um exemplar da série Vozes de Bolso de O Alienista e na procura de uma capa para editar aqui encontrei uma resenha feita pela editora Vozes em sua página do facebook. Então A Raposa Preppie reproduz a resenha em sua página.

O alienista foi publicado, inicialmente, em forma de folhetim, na revista carioca A Estação – Jornal Ilustrado para a Família, entre outubro de 1881 e março de 1882. Logo depois, Machado de Assis o compilou no volume Papéis avulsos, publicado pela Typographia e Lithographia a Vapor, que era parte da antiga Tipografia Universal.

O alienista faz parte da produção machadiana considerada realista onde Simão Bacamarte é o protagonista. Médico conceituado fora do Brasil, enveredou-se pela Psiquiatria, uma área ainda não muito explorada por aqui, por isso mesmo ainda envolta a mistérios e experimentações. Instalou- se em Itaguaí, pequeno vilarejo no interior do Rio de Janeiro, onde fundou a Casa Verde, uma espécie de hospício e “centro” de pesquisas psiquiátricas, abastecendo-o de cobaias humanas para os seus experimentos. Assim, Bacamarte internou as mais diferentes pessoas da cidade que julgava como loucas: o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa, sendo que na verdade eram apenas comportamentos, às vezes estranhos, exóticos, mas nada anormal, doentio. O que levava Simão Bacamarte a confinar as pessoas na Casa Verde se baseava na lógica de que os indivíduos que se desviavam da norma social e moral de comportamento estavam, segundo ele, doentes.


Todo este poderoso mecanismo ficcional possibilitou Machado de Assis, de forma sutil e cômica, a esboçar uma poderosa crítica ao contexto e à mentalidade da época. Outro efeito significativo é a sensação de atualidade do texto, especialmente do ponto de vista dos políticos da pequena e longínqua vila, já que os percalços e dilemas envolvendo a cena política de Itaguaí são, assustadoramente, bem semelhantes ao que vivemos hoje, neste momento tão marcado pela crise moral e de valores no cenário político brasileiro. 


O livro faz parte da coleção Vozes de Bolso onde a editora se propõe a trazer ao público um novo tipo de trabalho em torno de grandes clássicos da literatura de língua portuguesa com textos já canonizados pela nossa tradição, porém com alguns “aditivos” que agregam valor e força aos mesmos. 

terça-feira, 3 de maio de 2016

Star Wars e seus idiomas curiosos

Dias desses procurando sobre a cultura mandaloriana numa wiki sobre Star Wars me deparei com o idioma Mando'a por aqui transcrevo um texto com curiosidades que encontrei na wiki:

"Mando'a, também conhecida como Mandaloreano ou Mandalore, era a linguagem falada pelos guerreiros madalores e taungs.

Mando'a tem uma estrutura semelhante ao inglês (também conhecido como Básico Padrão Galáctico) e Esperanto: ou seja, sujeito-verbo-objeto. Sua fonte tem várias semelhanças com o Esperanto, também, principalmente na estrutura gramatical. Existem alguns senãos, no entanto. Em se tratando de Mando'a, temos que levar em conta que se trata de uma linguagem basicamente falada, e as regras foram se formando com o intuito dela ser facilmente pronunciável."


Vode An, significa "Todos Irmãos", era um antigo cântico de guerra mandaloriano cantado em  Mando'a. Durante o treinamento dos Clone troopers da República Galáctica, Jango Fett revisou uma série de cânticos, incluindo Vode An, substituindo palavras Mandalorianas tradicionais por palavras da República mais apropriadas. Nesse momento, presumisse que ele trocou "Mandalore por "Coruscant". O canto foi entoado pelos soldados clone com o acompanhamento de tambores e trombetas.

Mando'a

Kote!Kandosii sa kar'ta, Vode an.Coruscanta a'den mhi, Vode an.Bal kote, darasuum kote,Jorso'ran kando a tome.Sa kyr'am nau tracyn kad, Vode an.
Kandosii sa ka'rta, Vode an.Coruscanta a'den mhi, Vode an.Bal...Motir ca'tra nau tracinya.Gra'tua cuun hett su dralshy'a.Aruetyc runi solus cet o'r.Motir ca'tra nau tracinya.Gra'tua cuun hett su dralshy'a.Aruetyc runi trattok'o.Sa kyr'am nau tracyn kad, Vode an!

Português

Glória!
Um coração indomável, Todos Irmãos.
Nós, a ira de Coruscant, Todos Irmãos.
E glória, eterna glória,
Devemos suportar o peso juntos.
Forjado como o sabre nas chamas da morte, Todos Irmãos.

Um coração indomável, Todos Irmãos.
Nós, a ira de Coruscant, Todos Irmãos.
E...
Aqueles que estão diante de nós iluminam o céu da noite em chamas.
Nossa vingança queima mais brilhante ainda.
Até a ultima alma traidora deverá se ajoelhar.
Aqueles que estão diante de nós iluminam o céu da noite em chamas.
Nossa vingança queima mais brilhante ainda.
Até a ultima alma traidora deverá se ajoelhar.
Forjado como o sabre nas chamas da morte, Todos Irmãos.

domingo, 1 de maio de 2016

"El poeta pide a su amor que le escriba" de Garcia Lorca

El poeta pide a su amor que le escriba

Amor de Mis Entrañas
Amor de mis entrañas, viva muerte,
en vano espero tu palabra escrita
y pienso, con la flor que se marchita,
que si vivo sin mí quiero perderte.


El aire es inmortal. La piedra inerte
ni conoce la sombra ni la evita.
corazón interior no necesita
la miel helada que la luna vierte


Pero yo te sufrí. Rasgué mis venas,
tigre y paloma, sobre tu cintura
en duelo de mordiscos y azucenas.

Llena, pues, de palabras mi locura
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura.


Garcia Lorca

sexta-feira, 1 de abril de 2016

E o ano novo virou o Dia da Mentira

Atenção: Esse artigo não tem nada de mentiroso... ou não!
 Antigamente, na França, o Ano Novo era comemorado do dia 25 de março até o dia 1º de abril. Em 1564, o papa Gregório XIII instituiu um novo calendário, transferindo a data para 1º de janeiro, porém a população francesa ignorou a nova data e manteve a festividade na data original. Com o passar do tempo, o novo calendário tornou-se oficial e as pessoas pregavam peças naqueles que ainda se apegavam à data antiga, chamando-os de "bobos de abril".

Esse costume foi, em seguida exportado para a Inglaterra e, depois, se espalhou para o resto do mundo, sendo conhecido como o Dia da Mentira.

Naturalmente a mentira foi exportada para os americanos.