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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O testamento político do Cardeal Richelieu

Eu considero uma falta gigantesca não haver livros escritos ou biografias do Cardeal Richelieu que por algum tempo me questiono pelo motivo. Lógico que o velho eminencia parda deve ter deixado algum tipo de manual político e esse manual pode estar em seu Testamento Político. São raríssimas as edições do livro além da pouca procura em editar um livro que pelo tempo que foi escrito pelo próprio cardeal, devido ao pouco interesse das editoras brasileiras. O Testamento Político foi editado poucas vezes e tem raríssimas edições à venda.

Antes de se tornar conselheiro de Luís XIII e o homem mais poderoso da França, o Cardeal Richelieu (1585-1642) teve de eliminar seus inimigos palacianos e alijar da corte até mesmo Maria de Médici, mãe do próprio monarca. Primeiro-ministro com mão de ferro, reprimiu os huguenotes na França, mas aliou-se aos protestantes na guerra contra a Espanha. Criador da Academia Francesa, foi o nome mais notável do processo de centralização de poder em torno do rei, ao restringir a autoridade das províncias e instituir intendentes. Este Testamento político – obra em que discorre não apenas sobre os feitos realizados durante a monarquia de Luís XIII, como também expõe de maneira clara e direta sua concepção de Estado e a forma de geri-lo – é aparentemente uma prestação de contas ao rei, mas revela-se um tratado de teoria política. Tornou-se não só o preferido de Luís XIV, mas também de Napoleão Bonaparte, e ombreia com as grandes obras do gênero, como O príncipe de Maquiavel.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Chesterton e a eugenia

A ideologia nazista, o lobby abortista mundial e a “Cultura de Morte” denunciada por João Paulo II possuem todos uma raiz comum. Um movimento filosófico combatido por Chesterton há quase cem anos. A eugenia.

No início do século XX, logo após a I Guerra Mundial, essa ideia foi a grande moda entre as elites. Tradicionais famílias milionárias bancavam suas pesquisas. O jornal “The Nem York Times” a celebrou como o surgimento de uma “nova ciência”. Charles Elliot, reitor de Harvard, promovia a eugenia como solução para os problemas sociais. Cientistas elogiavam o “melhoramento da espécie humana” publicamente sem nenhum pudor. Nos anos 20, quase três-quartos dos livros de ciência do ensino médio americano ensinavam os princípios eugênicos. Além disso, juízes europeus e americanos aplicavam princípios eugênicos legalmente, possibilitando absurdos como esterilização forçada de populações pobres ou consideradas “fora dos padrões” (como diversas minorias étnicas).

No mundo anglófilo, a eugenia era uma unanimidade entre artistas, políticos e intelectuais. Chesterton foi uma voz absolutamente solitária ao ir na contramão e denunciar essa ideia, comprando uma briga contra toda a intelectualidade do seu tempo. Não se intimidou, e realizou uma crítica violenta e feroz, apontando a eugenia como a grande desgraça da era moderna.

Como aponta Dale Ahlquist, da American Chesterton Society, é provavelmente seu livro mais profético. Escrito logo após a I Guerra Mundial, quando ninguém poderia imaginar que um novo conflito viria, o livro combate as ideias que serviram de base para assassina ideologia nazista. Chesterton morreria em 1936, dois anos após Hitler se tornar o führer alemão, e três anos antes do início da guerra.

Como o próprio nome sugere, não é apenas a eugenia que apanha nesse livro. Também o socialismo recebe alguns dos golpes mais violentos de Chesterton, que também não poupa o capitalismo industrial. Chesterton vai na raiz da mentalidade materialista e ateísta que justifica a eugenia, mostrando como isso poderia ser usado para justificar toda sorte de atrocidades.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Destaque literário de junho'20

Nova obra de Henry Bugallo
O destaque literário deste mês vai para "Minha Especialidade é Matar: Como o Bolsonarismo tomou conta do Brasil", de Henry Bugallo ( versão em eBook Kindl) e não faço isso de favor. Depois de saber que inúmeros bolsonaristas estão desqualificando o livro na Amazon, é o mínimo queeste humilde blog poderia fazer já que vivemos numa época onde cultura e ciência são perseguidas por um governo que deseja retornar aos valores de uma época sombria justificada pelas teorias obscurantistas propagadas por Olavo de Carvalho.

Saber que a única forma de combater ao bolso-fascismo inspirado pelos bolsonaristas é ler obras que esmiúçam todas as teorias resultantes deste desgoverno já destacados neste blog (o primeiro deles justamente o outro livro deste autor sobre o pseudo-filósofo) é preciso entender lendo livros que forçam o contra-ponto. Afinal de contas a única lógica encontrada na obra de Olavo de Carvalho que ensina, seus métodos de destruição das reputações de seus oponentes, sem ao menos arriscar dialogar, argumentar com oponente só é encontrado em uma única obra de Carl von Clausewitz, Da Guerra.

Disponibilizamos agora a sinopse do e-book diretamente na página da Amazon:
Como o bolsonarismo tomou conta do Brasil?
Por que milhões de brasileiros votaram para eleger Bolsonaro, um homem que durante décadas demonstrou desprezo pelos valores democráticos, pelos direitos humanos e por grupos minoritários?
Esta obra é uma coletânea de artigos publicados por Henry Bugalho na Carta Capital e Folha de SP desde a posse de Jair Messias Bolsonaro, expondo os riscos cotidianos de seu governo, de sua retórica e da ideologia que propaga.
O e-book contém uma coletânea de artigos publicados pelo autor e é realmente curto (129 páginas) e barato (R$ 14,99). O autor também pensa em traduzir o e-book para versões em inglês e espanhol. Para quem tem algum domínio da língua acredito que possa ser bem útil para estudos.

Aproveitem, e deixem uma aprovação de no mínimo 5 estrelas para deixar os minons bem irritados.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Resistindo ao fascismo

Desde a mais tenra idade a população foi condicionado pelo Estado a sentar, ficar calado, memorizar, comprar, gastar, aceitar, não ser empreendedor, ser subordinado, escravo sem contestar, e regurgitar, de forma inequívoca, em subsequentes testes realizados, tudo aquilo que lhe foi repassado. Foi dessa forma que o Sistema designou que você seria positivamente avaliado.

Foi mediante a uma repetição constante concomitante a uma plena subserviência e posteriores provas realizadas para medir o grau de sujeição e sugestionabilidade que a sua mente foi literalmente formatada. 

À grande mídia coube o emprego de programação neurolinguística a partir de séries, noticiários, documentários, novelas, seriados e também desenhos animados para fomentar e legitimar os falsos paradigmas enxertados.

Consensos científicos arbitrários e nada científicos de fato serviram para revestir todas as questões antes ensinadas de pretensa e percepcionada "realidade sacramentada incontestável". Todos nós fomos mentalmente programados. 

Isso é um triste, revoltante, porém indiscutível fato, entretanto para além da dissonância cognitiva permanecerão em um cativeiro mental assistido tão somente aqueles que se renegarem a fazer uso da sapiência que lhes foi concedida, não pelo acaso mas pelo Criador de toda a existência, O qual aqueles que dirigem o Sistema Ocultista rejeitam e antagonizam. 

Já passou da hora de deixarmos de ser capacho, um papagaio adestrado, um escravo mental de indivíduos que servem ao Diabo e regem organismos nefastos que desde sempre mentem, lhe exploram e lhe manipulam subvertendo dos fatos, a hora de acordar é agora, deixe de intelectual passividade, de completa submissão à tudo aquilo que seja oficialmente alegado, você não só pode como deve questionar tudo, inclusive e sobretudo o seu alegado "aprendizado", abandone o orgulho em não querer admitir que foi enganado a vida inteira, e a covardia pelo receio de ser pelos demais escravos mentais ridicularizado, investigue, reflita, racionalize, seja astuto, sagaz, perspicaz, distinto, resiliente, resoluto, pare de ser servil, apático, medíocre, conformado, e aceitar tudo que a mídia vomita o tempo todo. 

A verdade foi dita, acreditar ou não, só depende de você. Compartilhem verdades! Conto com vocês.

Autoria do Canal On:Off

 

domingo, 29 de dezembro de 2019

Lançamento da biografia sobre o (pseudo) guru do bolsonarismo

Em sua última postagem de 2019, a Raposa Preppie compra a briga a favor da filha do (pseudo) filósofo Olavo de Carvalho, Heloisa de Carvalho; do escritor Henry Bugalho. A pretenção do blog é dar prosseguimento a luta do progressismo contra um sistema espulio projetado para empobrecer a população como aconteceu no Chile, a favor de uma minoria de banqueiros, tecnocratas e oligarcas que mergulhou o país num retrocesso obscurantista recheado de pseudoteorias terraplanistas, fake news e psicopatismo fascista como o integralismo que ressurgiu das trevas.

Segue a resenha do livro no site da Kotter Editorial (link do site abaixo) mais a descrição do programa do canal TV247.

O livro
Em poucos anos, Olavo de Carvalho, figura obscura, sem projeção e sem qualquer reconhecimento acadêmico, passa a ocupar o centro do poder político brasileiro.

Considerado o guru ideológico do governo Bolsonaro, é responsável pela indicação de pelo menos dois ministros e vem sendo o mentor intelectual de vários ocupantes de cargos na administração e na política. Olavo simboliza hoje os contraditórios valores conservadores brasileiros e, no passo disto, instiga algumas das mais destrutivas estratégias na guerra cultural que ele e seus discípulos empreendem.

Através do olhar incisivo de Heloisa de Carvalho, a filha mais velha deste guru e testemunha ocular destes relatos, a faceta sombria e controversa de Olavo, que ele tanto tentou ocultar, se expõe: seus vínculos com escandalosas seitas esotéricas, sua vida errática e desregrada, o grave abandono intelectual dos filhos, e toda uma trajetória pessoal e profissional centrada no culto à própria personalidade que, contra todas as expectativas e quase que desafiando a lógica, tornou-se uma incontornável referência intelectual da chamada “Nova Direita” do país.

Um novo que aponta para o passado – para a longínqua Idade Média -, concorrendo para o retrocesso dos avanços sociais a tão alto custo conquistados pelo povo. Esperamos que as revelações biográficas de Heloísa sejam uma gota no oceano da necessária frenagem da difusão e defesa dessas ideias torpes e contraditórias. Não nos importa o homem, mas sua trajetória tem a ver com suas ideias e suas práticas, daí a importância da leitura desse livro.

Entrevista a Henry Bugalho e Heloisa de Carvalho na TV247

Henry Bugalho e Heloisa de Carvalho falam sobre o livro que será lançado pela parceria da Editora 247 com a Kotter Editorial no início de 2020. A filha de Olavo, Heloisa conta agora um passado que ele tenta esconder. Segundo Bugalho, o livro revela "vínculos com escandalosas seitas esotéricas, sua vida errática e desregrada, o grave abandono intelectual dos filhos, e toda uma trajetória pessoal e profissional centrada no culto à própria personalidade que, contra todas as expectativas e quase que desafiando a lógica, tornou-se uma incontornável referência intelectual da chamada 'Nova Direita' do país".


Se você quiser adquirir o livro na pré-venda, com desconto, clique aqui.

Essa luta não é só da filha desse embuste, ou até do canal TV247. Mas de todos os que sigam a verdade, de todos que estão vexados de tudo o que está acontecendo nesse país, com esse fascismo, roubalheira, corrupção e ódio instalado na população que emergiu nessa onda de conservadorismo moralismo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Censura na Bienal do Livro

Em sua coluna quinzenal no canal de CartaCapital, Henry Bugalho comenta sobre a tentativa de censura aos livros de temática LGBT+ durante a edição 2019 da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Ele também destaca a atitude do youtuber Felipe Neto, que comprou e distribuiu 14 mil livros com este tema durante o evento, evitando que fossem confiscados.

"Quando você tem um prefeito que não tem entre suas atribuições decidir o que será comercializado ou veiculado ou não, e do outro lado tem uma personalidade como Felipe Neto, que o desafia, você tem aí o reflexo da luta cultural que se desenvolveu no Brasil nos últimos anos, essa luta entre o obscurantismo, o atraso e o retrocesso a valores medievais contra valores progressistas, de inclusão, aceitação e respeito ao outro", disse.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

"Se é de graça, você é o produto": saiba como Facebook lucra com dados de usuários

Saiba como Facebook lucra com dados de usuários

Em plena polêmica que levou o fundador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, ao Parlamento britânico terça-feira ("20/03/2018"), para explicar as acusações de apropriação indevida de dados pessoais de seus usuários, entenda como a rede social mais famosa do mundo transforma suas informações em “ouro”.

A coleta de dados executada pelo Facebook pode ser considerada legalmente aceitável, se levarmos em conta que a rede social não vende os dados em si, mas o acesso aos usuários que disponibilizam estes dados, na maioria das vezes sem ter lido detalhadamente as condições de utilização. No entanto, uma comissão parlamentar britânica quer saber exatamente como as empresas adquirem e armazenam dados dos usuários do Facebook e, especialmente, se os dados foram obtidos sem o seu consentimento.

A polêmica tomou hoje também as páginas do jornal The New York Times (NYT) nos Estados Unidos, onde um escândalo envolvendo a consultoria Cambridge Analytica - que trabalhou para a campanha eleitoral do presidente americano Donald Trump, se encontra no olho do furacão. Segundo investigações do NYT e do jornal britânico The Guardian, a Cambridge Analytica teria recuperado dados de milhões de usuários de Facebook, sem seu consentimento, com os quais teria criado um programa destinado a prever e influenciar o voto dos eleitores.

Mas qual a mecânica do processo de utilização dos dados de usuários pelo Facebook?

Quem se registra na rede social imaginada por Mark Zuckerberg é recebido com esta promessa: "O Facebook é gratuito, e isso permanecerá para sempre". Mas, se os usuários não pagam nada, como o Facebook gera seus enormes lucros - quase 16 bilhões de dólares no ano passado, um aumento de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior? A resposta é muito simples: via publicidade.

Por exemplo, no quarto trimestre de 2017, a receita de publicidade representava 98,5% da receita total da empresa. O Facebook aplica literalmente um slogan bem conhecido de todos os especialistas em marketing: "Se é de graça, você é o produto". O "produto", neste caso, são os dados que cada usuário fornece à rede social sempre que reage a várias publicações - via "curtidas", ou emoticons - que ele mesmo disponibiliza, ou pesquisa.

Informações pessoais, o tesouro dos anunciantes

"Os dados pessoais são o petróleo de hoje. Têm muito valor, mas, se não forem refinados, não podem ser usados": esta citação atribuída ao matemático britânico Clive Humby, em 2006, explica perfeitamente o modelo econômico do Facebook. Ao "refinar" uma matéria-prima - bilhões de publicações, fotos, interações - o gigante da Califórnia permite que os anunciantes enviem promoções chamadas de "segmentados".

O grupo explica o procedimento em um site dedicado aos anunciantes. "Se você deseja anunciar para pessoas com base em idade, localização, hobby, ou outro, podemos ajudá-lo a entrar em contato com aqueles que provavelmente estão interessados em seus produtos, ou serviço", informa. "Se você tem uma loja de sapatos, você pode, por exemplo, segmentar as pessoas que compraram sapatos recentemente", diz o Facebook.

"Não temos consciência de compartilhar toda essa informação sobre nós e, na realidade, as redes sociais nos conhecem melhor do que os nossos próprios pais", diz Nathalie Devillier, pesquisadora especializada em proteção de dados.

É possível restringir o acesso dos anunciantes nas configurações de sua conta no Facebook. É possível, por exemplo, responder "não" à pergunta "Deseja ver anúncios on-line segmentados do Facebook?".

"O Facebook não vai procurar nada além do que você colocou na web. É o usuário que é responsável por isso", explica o presidente do think tank liberal GénérationLibre, Gaspard Koenig. Ele defende que a lógica do mercado seja ampliada, dando aos próprios usuários a oportunidade de venderem seus dados.

Já a União Europeia escolheu outro caminho: o de maior proteção das informações pessoais, com a entrada em vigor, no final de maio, de uma regulamentação sobre o assunto.

Fonte: http://br.rfi.fr/.../20180320-se-e-de-graca-voce-e-o...

H.·. P.·. S.·. 1000644

domingo, 8 de setembro de 2019

Censura a livros da Bienal é “fato gravíssimo” e evidencia a urgência da ditadura

Executivo e judiciário cariocas se uniram para censurar a Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. Em Porto Alegre, foi o legislativo que se encarregou de censurar uma exposição de cartuns políticos. O Brasil, que nunca chegou a consolidar totalmente a democracia, vai normalizando a censura.

Para o ministro Celso de Mello, episódio resulta das “trevas que dominam o poder do Estado“. Bienal recorrerá ao STF contra decisão que permitiu busca.

Isso aconteceu a quase 100 anos e voltará a repetir...

(...) “mentes retrógradas e cultoras do obscurantismo e apologistas de uma sociedade distópica erigem-se, por# ilegítima autoproclamação, à inaceitável condição de "sumos sacerdotes da ética e dos padrões morais e culturais que pretendem impor, com o apoio de seus acólitos, aos cidadãos da República” (Celso de Mello)

Estamos vivendo um estado de exceção formado por fundamentalistas evangélicos (Universal, Assembleia de Deus e outras denominações neopentecostais) com o aparato policial criado por Sergio Moro, semelhante ao DOPS, DOI-CODI de antigamente, e apoio das forças armadas. A população está a merce de governantes que governam apenas às suas denominações religiosas em detrimento ao estado laico, desrespeitando por completo a Constituição.

sábado, 3 de agosto de 2019

O capitalismo morreu e você não sabe

Jeremy Desir, executivo do HSBC, pediu demissão e escreveu uma carta à humanidade no LinkedIn, dizendo que o capitalismo morreu.

No meio acadêmico, a tal carta já estava classificada como "lenda urbana" devido o Desir ser quem é. Bom, a carta existe e agora temos uma nova "lenda urbana" com o nome do Desir: um relatório com aproximadamente 50 páginas sobre o sistema financeiro e catástrofe climática.

Vamos as melhores partes do documento: 

"O capitalismo está morto. E embora essas terras virgens que estão prestes a serem esmagadas, essas vidas frágeis que estão prestes a se afogar possam nunca ver seu futuro florescer, o capitalismo está realmente morto em sua essência, como um conceito e uma força estruturadora de nossos afetos. Quanto mais cedo derrubarmos nossas armas com humildade diante dessa realidade inevitável, mais densamente a vida terá a chance de se regenerar em sua diversidade.

A demonstração? É claro que a ascensão do capitalismo é inseparável das primeiras formas de troca globalizada, a mais significativa das quais foi a escravidão profissionalizada do comércio triangular entre a Europa, as costas da África Ocidental e a América. O capitalismo então se estabeleceu como a estrutura dominante de nossas civilizações com a Revolução Industrial. Os conceitos econômicos, ou tendências ideológicas, que teorizaram foram expressos em 1776 com A riqueza das nações de Adam Smith, fundando o ato intelectual do liberalismo. A "mão invisível" é postulada como "um mecanismo autorregulatório induzido pelo encontro de oferta e demanda em mercados descentralizados"e onde o ponto cego do trabalho está na omissão da escravidão, embora seja a principal fonte de enriquecimento para os mercadores de Glasgow, onde o professor Smith vem para aprender os aspectos essenciais do que ele sabe em economia. Isso leva Gaël Giraud a escrever que “em outras palavras, a“ mão invisível ”é uma mão negra, que permaneceu invisível aos olhos do analista“ esclarecido ”que Smith era. »

Desde então, o capitalismo e suas várias tendências liberais basearam-se em três pilares altamente interdependentes:

* Propriedade privada, incluindo meios de produção;
* Livre comércio nos mercados;
* Concorrência livre e não distorcida.


Durante séculos, de Proudhon a Makhno, passando por Pelloutier ou Ferrer, ambos criadores de conceitos e práticas de solidariedade, reciprocidade e complementaridade, foi das fileiras dos libertários, artesãos da desobediência civil às lutas revolucionárias, que as primeiras críticas radicais do capitalismo surgiram, e as primeiras reivindicações por uma sociedade mais justa foram violentamente conquistadas. Esses artesãos da denúncia e destruição metódica do capitalismo são heróicos de várias maneiras. Na minha opinião, eles se destacam pela quase exclusivamente intuitiva vanguardismo de sua resistência contra esse sistema de opressão totalitária. 
Hoje, as crises ecológicas e climáticas sem precedentes enfrentadas pelos seres vivos, incluindo a humanidade, foram modeladas, estudadas e confirmadas por quase 50 anos. O estado mais avançado de pesquisa científica é capaz de ler esta alteração duradoura do nosso planeta na atmosfera, sedimentos, rochas e gelo. Pela primeira vez em sua história, o homem é capaz de saber com uma unanimidade internacional as causas precisas da sua quase extinção, mas também as trajetórias a serem seguidas drasticamente se ele quiser evitá-lo. Em novembro de 2018, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicou um relatório especial sobre os efeitos do aquecimento global de 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais e das vias de emissão de gases de efeito estufa (GEE) relacionadas, no contexto do fortalecimento global. resposta à ameaça das alterações climáticas, desenvolvimento sustentável, e esforços para erradicar a pobreza. Este relatório responde ao convite dos 195 países membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), contidos na decisão da 21ª Conferência das Partes (COP 21) de adotar o Acordo de Paris assinado em dezembro de 2015. 

As recomendações deste último relatório são impressionantes, quase revolucionárias, para qualquer um que tenha a dor de compreender suas conseqüências, a despeito de expressões suficientemente polidas para serem aceitas por todas as autoridades superiores do capitalismo, principalmente entre elas os bancos. Foi nesse momento que a contradição da qual eles não podiam mais escapar foi estabelecida, pois eles estavam presos em um contexto de neutralidade das emissões líquidas de CO2 até 2050, ao qual haviam se inscrito oficialmente:

«D.7.1. Parcerias envolvendo atores públicos e privados não estatais, investidores institucionais, o sistema bancário, a sociedade civil e instituições científicas facilitariam ações e respostas consistentes com a limitação do aquecimento global a 1,5 ° C ( confiança muito alta ). »

Em 2014, o IPCC já escreveu em suas recomendações que:

«A mitigação efetiva das mudanças climáticas não será alcançada se cada agente (indivíduo, instituição ou país) agir independentemente em seu próprio interesse egoísta (ver Cooperação internacional e comércio de emissões), sugerindo a necessidade de ação coletiva. »
 


As revoluções conceituais do IPCC que podem ser deduzidas são duplas: (1) a ciência natural pode e deve produzir recomendações com dimensões sociais e humanas, com base em suas descobertas fisicamente mensuráveis ​​(2) parceria e ação coletiva, necessárias com muita confiança pela comunidade internacional. comunidade científica, são incompatíveis com o terceiro pilar do capitalismo: concorrência livre e não distorcida. A derrogação a essa regra é explicitamente ilegal no setor bancário, enquanto o IPCC sugere silenciosamente sua abolição imediata por meio da cooperação internacional. A recente Rede para o Esverdeamento do Sistema Financeiro (NGFS) após a "Cúpula de Um Planeta", reunindo supervisores financeiros e bancos centrais para apoiar o setor em uma transição compatível com o Acordo de Paris,

Ainda em termos de respostas institucionais, poucas semanas antes da COP 21, em setembro de 2015, Mark Carney, governador do Banco da Inglaterra, disse que “a mudança climática ameaçará a resiliência financeira e a prosperidade a longo prazo. Enquanto ainda há tempo para agir, a janela de oportunidade é limitada e encolhendo [...] Nós precisaremos de colaboração no mercado para maximizar o impacto deles. ” Ele também anunciou neste discurso de fundação,“ Quebrando a tragédia do horizonte ”, o criação futura de um grupo liderado pela indústria: Task Force sobre Divulgações Financeiras Relativas ao Clima (TCFD). Este grupo de trabalho, presidido por Michael R. Bloomberg, pretende«Proceder a uma avaliação coordenada do que constitui uma divulgação eficiente e eficaz e elaborar um conjunto de recomendações para as divulgações financeiras voluntárias das empresas sobre os riscos relacionados com o clima [...]». Em sua recomendação datada de junho de 2017, apenas uma métrica quantitativa de interesse é sugerida por eles e colocada no centro de seu esquema de divulgação de riscos climáticos: emissões de GEE e pegada de carbono. 


Dois anos depois, em julho de 2019, o TCFD admitiu essa terrível admissão de impotência que: “Dadas as mudanças urgentes e sem precedentes necessárias para cumprir as metas do Acordo de Paris, a Força-Tarefa está preocupada com o fato de poucas empresas divulgarem informações sobre seu clima. riscos e oportunidades relacionados » Isto era inteiramente previsível dada a alarmante ausência de qualquer forma de sanção jurídica ou económica nestas iniciativas endogâmicos, complacentes e voluntárias. É também com a maior lentidão que este relatório se refere a outro escrito pelas Nações Unidas, onde aprendemos que «as emissões globais de gases com efeito de estufa têm que atingir o pico em 2020 e depois diminuir rapidamente a partir daí para limitar o aumento da temperatura média global a mais de 1,5 ° C [...].No entanto, com base nas políticas e compromissos atuais, “as emissões globais não devem sequer chegar a um pico em 2030 - quanto mais em 2020.” »

Assim, as únicas instituições legítimas que apóiam as mais altas autoridades de um "capitalismo enlouquecido" em restrições ecologicamente responsáveis ​​são impotentes diante de um setor privado incontrolável, hostil às menores formas de regulação. Por que os bancos e as maiores multinacionais listadas são tão relutantes em rastrear suas emissões de GEE e, portanto, o impacto de carbono de suas demonstrações financeiras? Porque nenhuma dessas empresas quer revelar publicamente a contrapartida mortal para a Terra e os Humanos de seus lucros e valorações, que estão cada vez mais desconectados de qualquer realidade física. Além disso, daria uma medida incontestável da toxicidade de um livre comércio cada vez mais intensivo em energia, apesar de ser o segundo pilar do capitalismo.

No que diz respeito ao primeiro pilar, sem dúvida o mais difícil de questionar quando desencadeia paixões, mesmo no campo daqueles a quem o capitalismo oprime mais do que enriquece, o vazio de suas justificativas teóricas é gradualmente trazido à luz por uma abordagem energética de crescimento que só pode tendem a se tornar popular. Uma vez que esta observação seja estabelecida e os elos forjados pela incompatibilidade dos outros dois pilares com os objetivos da neutralidade de carbono até 2050, mesmo os ideólogos mais carismáticos não poderão mais designar a propriedade privada como algo que não seja um roubo. Um roubo dos povos que apóiam esses bens comuns e estão condenados a colher apenas uma fração de seus benefícios,

Em outras palavras, os três pilares sobre os quais se baseou o "progresso" de nossas civilizações obscureceram sistematicamente, voluntariamente ou não, a noção de energia primária e humana em suas cadeias de valor, submetendo-os assim a arbitragens incontroláveis ​​e distorcidas. A economia, apesar de sua disposição de se disfarçar como uma ciência natural e, portanto, indiscutível, fora dos círculos mais bem informados, permitiu-se omitir as ciências físicas de suas equações financeiras. Essa ignorância imunda realmente faz a Terra pagar o preço irreversivelmente, assim como um remanescente de uma humanidade, reduzido ao estado de "desperdício".

Eu chego ao ponto desta carta. Este passa por uma breve descrição do meu passado pessoal.

Primeiro de tudo, sobre minha formação acadêmica. Baseia-se na Matemática, da classe préparatoire à grande école d'ingénieur , nas Minas de Saint-Etienne. Depois de um primeiro ano de módulos principais, eu me dediquei à Data Science juntamente com eletivas de Big Data no meu segundo ano, e depois passei para o terceiro ano do " M.Sc. em Risk Management and Financial Engineering " no Imperial College. Londres.

A ambição é se tornar um analista quantitativo, ou quant . Esses engenheiros e pesquisadores modelam problemas financeiros: desde a precificação de derivativos até estratégias de negociação e gerenciamento de risco. Decidido a avançar ainda mais o componente matemático que me levou até lá, como fiquei parcialmente desapontado com o conteúdo técnico deste mestrado, decidi prosseguir meus estudos com uma das melhores formações em matemática financeira: le M2 "Probabilidade e Finanças", co-habilitado pela UPMC e Ecole Polytechnique (Paris-VI).

Três anos depois, aqui estou em Londres, na sede do HSBC, onde trabalhei quase um ano como um todo no departamento de riscos. Eu validei independentemente as estratégias de negociação algorítmica desenvolvidas pelo front office, desde a qualidade dos dados até a governança e o desempenho do algoritmo. Depois de vários meses de intensa exposição na mídia sobre as crises sociais e ecológicas mundiais, não posso mais me satisfazer com essas poucas experiências voluntárias, embora acredite profundamente nelas. Esta nova tendência de "Data for Good" em parceria com ONGs e instituições de caridade, o enésimo anestésico de boa consciência sobre uma ferida infectada, ignoramos, cujos atores mais sinceros nunca questionam os fundamentos alienantes de nossa civilização. Mesmo desobediência civil com os chamados métodos "radicais" de Rebelião da Extinção, dos quais participei em abril, obviamente não foi suficiente. A passividade grosseiramente disfarçada de meu empregador diante desse desastre anunciado recentemente, especialmente depois da farsa simbólica de um "estado de emergência climática" declarado pelo Parlamento do Reino Unido no dia 1 de maio, confirmou minhas intuições. Um desamparo passivo e complacente diante do desastre em curso.

Foi por isso que preparei um relatório de 50 páginas sobre a alarmante inadequação da resposta dos bancos à crise climática, bem como várias recomendações,e enviei na segunda-feira, 15 de julho, para o líder da minha equipe, PhD em Física e ex-trader quantitativo, agora supervisionando a validação do modelo. Este resumo final de fatos incontestáveis ​​e análise sobre a urgência de nossa necessidade de agir drasticamente com coragem, também enfatiza as respostas institucionais dadas pelo setor bancário. Além da reconhecida ineficiência e impotência das medidas e estruturas desenvolvidas pelos órgãos reguladores, supervisores e bancos centrais (TCFD - NGFS), são as iniciativas tomadas pelo HSBC, como ilustrativas do setor bancário privado como um todo, que são detalhadas e sujeitos às suas próprias contradições. Na sequência de uma descrição metódica da inadequação das respostas do sector bancário e financeiro às emergências climáticas do nosso tempo, os compromissos recomendados pelos três órgãos mais legítimos a emitir (TCFD-NGFS-GIEC), teoricamente reconhecidos pelos bancos num quadro não vinculativo que assinaram, para o qual não deixam de se comunicar de forma enfática, são relembrados. Finalmente, três etapas graduais de viabilidade para implementar essas recomendações são propostas de acordo com critérios pessoais, desta vez apenas. Estes passos consistem em: ENSINAR maciçamente - INVESTIGAR abundantemente - ACT corajosamente.

Como eu suspeitava, vários dias após a apresentação deste relatório, muitos dos quais não deveriam ser mais do que um lembrete para os cientistas, especialmente aqueles ligados ao sistema financeiro internacional, as conseqüências são muito limitadas e não o discutimos novamente.

Não espero mais da minha reunião com um dos representantes mais importantes do banco, o chefe global da estratégia de risco, participante em primeira mão das recomendações do TCFD. Seguindo essa chamada alarmante, deliberadamente densa, quantificada e documentada, para não duvidar de sua credibilidade, acho que na melhor das hipóteses, um pedirá desculpas por uma forma de impotência diante da necessidade de ações coordenadas drásticas. Na pior das hipóteses, eu vou ser mostrado a direção da porta.

Estou disposto a correr esse risco e fazê-lo ouvir em voz alta pela minha comunidade.

Semelhante a mim, a maioria dos cientistas de quanto e/ou de dados - dois títulos que posso afirmar - acha que eles são muito racionais e guiados pela ciência. No entanto, infelizmente estamos ignorando os alarmantes ressonantes e cada vez mais agudos da comunidade científica internacional. E este tem sido o caso por décadas. Cheios de modéstia e humildade, os mais honestos de nós pensavam que esse não era o nosso trabalho: "não somos economistas, não devemos nos comprometer com as decisões de nossa administração". E é precisamente através desse buraco de fechadura que nossa consciência desapareceu. Se algumas dúvidas persistiram, particularmente graças aos milhões investidos pelos mais hostis às consequências de uma consciência radical da crise ecológica, essas dúvidas são agora impossíveis.

Mais uma vez, estou pronto para assumir o risco de confrontar meu empregador com suas próprias deficiências. Estou pronto para assumir as conseqüências, enquanto difuso o absurdo desta situação para a maioria de nós através de uma versão absolutamente não-violenta da propaganda pelo fato.

Hoje é o Dia da Overshoot da Terra, estimado pela primeira vez desde sua criação em julho: na segunda-feira 29 de julho de 2019, o consumo de recursos da humanidade para o ano excede a capacidade da Terra de regenerar esses recursos naquele ano.

Diante dessa conspiração internacional de poderes financeiros para manter esse obscurantismo capitalista assassino e para entorpecer a consciência de seus melhores recursos intelectuais diante das causas e conseqüências de nossa crise ecológica e climática, tomo a decisão de me demitir publicamente por meio dessa abertura. carta. Não posso, sabendo o que precede, perpetrar esta terrível mentira e ainda olhar nos olhos a minha consciência, e por isso hoje paro de colaborar com este totalitarismo sangrento. Meus queridos colegas, aqueles que me conhecem e serão mais diretamente ameaçados pelas conseqüências de minha ação, espero que compreendam que não é absolutamente seu eu pessoal que estou tentando prejudicar, mas essa camisa-de-força de ilusões que está nos esmagando.

Eu também convido minha comunidade de pesquisadores e engenheiros, principalmente aqueles que trabalham em bancos sistemicamente importantes, mas também entre gigantes da tecnologia, aqueles para quem as sereias do dinheiro não terminaram para enfeitiçar seu senso de ética e seu amor pela ciência, declarar um general. greve na sexta-feira, 2 de agosto de 2019, para renovar toda sexta-feira até que uma estratégia de cooperação internacional seja adotada por seu empregador (use as três etapas do TRA do relatório acima mencionado como base para discussões posteriores).

Também convido tantas pessoas quanto possível, convencido da necessidade vital de uma resistência agrupada e organizada contra este sistema de opressão que está em guerra contra os vivos, para vir e inchar as fileiras e corações manchados pela propaganda caluniosa dos nossos últimos revolucionários. , iniciando ou participando das manifestações no sábado, 3 de agosto de 2019 , para renovar todos os sábados. O movimento social dos Coletes Amarelos pode ser a última grande manifestação denunciando os crimes diários e sufocados de um sistema oligárquico, obscurantista e opressivo para a Terra e os Humanos.

Quanto ao futuro a que aspiro, e responder de antemão às mentes mais pobres que provavelmente acreditam que uma revolta radical e coerente consistiria em fugir para a natureza com o objetivo da auto-suficiência: não o farei por enquanto. Em primeiro lugar, porque, como assinala Yves-Marie Abraham: «A" civilização "já não tem lugar fora do local onde seria possível refugiar-se. Além disso, eco-comunidades e "aldeias em transição" não ameaçam de forma alguma a ordem existente. Eles o deixam livre e podem até ajudar a fortalecê-lo, contribuindo para a revitalização econômica do campo que devastou. »E em segundo lugar porque, como cientista consciente do estado do nosso mundo, com um background cognitivo e cultural capaz de desconstruir metodicamente o monstro que nossas ilusões de crescimento infinito nutrem, acredito que tenho uma utilidade dentro dos últimos bastiões de resistência disponíveis em nosso mundo. civilização: educação e pesquisa; mais precisamente através do ativismo científico trabalhando para uma sociedade humana pós-carbono. O único farol internacional na noite dos apetites narcísicos de nossa civilização moderna é representado pelo IPCC.

É também por esta razão que gostaria de pedir solenemente ao IPCC que analise a minha candidatura pelo seu trabalho, em particular sobre a revisão do estado da arte sobre a adaptação do sector financeiro a um mundo neutro em carbono até 2050. Se possível, Gostaria de levar minha contribuição da École des Mines de Saint-Etienne, onde o componente humano de nossa experiência estudantil persistiu de bom grado diante do produtivismo expansionista de nossas contrapartes parisienses. Minhas convicções são claras e claramente divisivas - no começo, porque o ponto final é cooperar apesar da forte relutância daqueles que não têm nada a ganhar com isso -, assim como uma leitura literal de suas recomendações, que eu só tentei destacar no meu melhor.

À minha mãe a quem amo e que nos deixou cedo demais. Será um ano no domingo, 4 de agosto de 2019, ao meio-dia. Essa coragem, hoje, vem de você.

Jérémy Desir-Weber
    

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Estudos sobre o Cancervadorismo brasileiro

O Novo Conservadorismo brasileiro

Aos amigos do blog A Raposa Preppie, hoje entrou em pré-venda o livro de Marina Basso Lacerda, "O Novo Conservadorismo Brasileiro: de Reagan a Bolsonaro", publicado pela Editora Zouk, de Porto Alegre, com prefácio da professora da UnB Flávia Biroli, referência na ciência política brasileira. 
O livro trata do paralelo entre a ascensão do neoconservadorismo nos Estados Unidos no fim da década de 1970 e o surgimento do novo conservadorismo no Brasil a partir de meados de 2015 – que culmina com a eleição de Bolsonaro. Neoconservadorismo se refere originalmente à coalizão contrária às políticas de bem-estar social e ao avanço de feministas e de LGBTs, que reuniu parcela majoritária do evangelismo, elementos da direita secular do Partido Republicano e intelectuais para a eleição de Ronald Reagan em 1980. 
O neoconservadorismo – fundado na tríade militarismo, absolutismo do livre mercado e família tradicional – forneceu o berço ideológico que viabilizou o neoliberalismo no mundo, no laboratório chileno de Pinochet, com os Chicago boys. O argumento de que a retomada da ortodoxia econômica entre nós é possibilitada com o resgate do mesmo ideário, expresso no combate à “ideologia de gênero”, na Escola Sem Partido, no Estatuto da Família, no fim do Estatuto do Desarmamento, no estabelecimento de teto de gastos públicos com a preservação de juros, na proposta de mudança da embaixada para Jerusalém e na crítica ao “marxismo cultural globalista”.



Segue o link para compra: http://www.editorazouk.com.br/pd-6892e4-novo-conservadorismo-brasileiro-de-reagan-a-bolsonaro.html

terça-feira, 18 de junho de 2019

O surpreendente “Pavão Misterioso” na literatura.

A sombra de um animal vaidoso ronda a República. A chamada ala ideológica (de um governo eleito para combater a ideologia), agora cria um personagem chamado “Pavão Misterioso” que, segundo ele, comunistas remanescentes da antiga URSS, estariam financiando o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, para desestabilizar a Lava Jato. Em poucas horas deste último domingo (16 de junho), o perfil somou mais de 20 mil seguidores (bolsominions), ocupou os trending topics mundial e nacional, teve o conteúdo compartilhado nas mídias bolsonaristas e, assim como havia sido criado, num passe de mágica deixou de existir.


Só para lembrar, “Pavão Misterioso” é um romance de cordel clássico, que relata a história de amor entre João Evangelista e a condessa Creuza. Inspirou uma canção de Ednardo, enorme sucesso em 1976, cuja letra A Raposa Preppie publica.

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...
 
Compositores: Ednardo
Letra de Pavão Misterioso © M.W.M. LTDA.

sábado, 18 de maio de 2019

A duvidosa literatura de Ernesto Araújo

Ernesto Araújo nasceu em Porto Alegre, em 1967, e morou desde cedo em Brasília. Formou-se em Letras pela Universidade de Brasília em 1988 e ingressou na carreira diplomática em 1990. Trabalhou na embaixada do Brasil na Alemanha. Sua produção literária inclui o livro de poemas Ocidente (Roswitha Kempf, 1985), o ensaio Mercosul hoje, em co-autoria com Sérgio Abreu e Lima Florêncio (Alfa Omega, 1996), os romances A porta de Mogar (Alfa Omega, 1998), Xarab fica (Alfa Omega, 1999), entre outros.

Os livros principais publicados por Ernesto Araújo.
 
De perfil (pseudo)erudito, o ministro é autor de três livros, além de um artigo intitulado "Trump e o Ocidente" nos Cadernos de política exterior do Itamaraty, o que muito embora tenha sido elogioso ao presidente americano causou controvérsia na instituição.

Ernesto Araújo é um escritor inventivo numa obra definitiva, senhor de uma narrativa envolvente sem perder de vista o interesse do leitor, obra aberta a várias leituras trazendo a marca de seu tempo.

Literatura difícil em Xarab fica...

Em Xarab fica, Ernesto Araújo incursiona por um país, ou melhor por Xarab - uma cidade marítima com um passado de guerras, que encontrou uma espécie de estabilidade pacífica mas que, no fundo, permanece inquieta, insatisfeita, sentindo que lhe cabe a missão de preservar algum tipo de segredo ou de virtude, que o resto do mundo ignora. Xarab não é simplesmente o lugar em que se passa uma história, mas o próprio personagem central dessa história.


Xarab é um oráculo que seus próprios habitantes esforçam-se por interpretar, um princípio que cada um deles encarna à sua maneira, entre intrigas de palácio, conflitos afetivos e disputa pelo poder. Xarab é um desafio, um relâmpado no meio de um mundo que adormece ou um sonho querendo brotar no meio de um mundo que nunca dorme. Xarab é a busca do novo, por dentro da tentação da estabilidade, a espera de um acontecer capaz de transbordar a história.

Quatro 3 não é um romance, nem uma coleção de contos, nem um conjunto de poemas, mas um espaço ficcional. Um sistema anárquico de textos, que se quer libertar da autoridade superior da trama e da lógica dos personagens. É também um campo de confronto com a realidade objetiva de um mundo moralizador e reducionista, em que a humanidade parece cansada de sua aventura milenar e anseia pela paz perpétua do não-ser. Uma tentativa de perceber a fragilidade de deus, e de assim restaurar sua empatia com o homem. 

Conjunto de oitenta e cinco textos que são um desafio à realidade e às convenções literária, onde o autor opta por uma geografia imaginária onde as história paralelas se liberam da autoridade superior da trama e da lógica dos personagens.

Os três livros de Ernesto Araújo.

A seguir trechos do pensamento de Ernesto Araújo em seus livros:
"O segredo do homem é fixar limites. E descumpri-los. E dividir-se entre esses dois segredos, que são um só. O que se pode conhecer do segredo, serão o seu entorno físico, a mensagem que dele se avista, seu endereço ? Se soubermos onde o segredo fica, já estamos sabendo um pouco do que o segredo diz ? - Como é simples, comentou Kedad. - O que é simples ? - Está vendo ? Já complicou."
"A esquerda transformou a luta nobre e necessária pela igualdade de direitos entre homens e mulheres em um feminismo torpe, onde a mulher já não é mais um indivíduo, mas apenas um objeto político, um pretexto para obrigar as pessoas a votarem em candidatos de esquerda."
"O segredo do homem é fixar limites. E descumpri-los. E dividir-se entre esses dois segredos, que são um só. O que se pode conhecer do segredo, serão o seu entorno físico, a mensagem que dele se avista, seu endereço? Se soubermos onde o segredo fica, já estamos sabendo um pouco do que o segredo diz? - Como é simples, comentou Kedad. - O que é simples? - Está vendo? Já complicou." Trecho de "A Porta de Mogar"... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/11/14/anti-pt-contra-o-globalismo-e-autor-de-ficcao-o-que-pensa-o-futuro-chefe-do-mre.htm?cmpid=copiaecola
Trechos de "A Porta de Mogar"
"Se vier uma catástrofe, vamos ter de sobreviver e reprovar a terra. 
Mas desta vez não haverá domingo, nem nada desse tipo. Não haverá o vazio, nem conjugações verbais, não haverá a coluna de Falwa, onde está escrito tudo o que pode acontecer e tudo que jamais acontecerá, nem a coluna de Falwa que tentamos arrancar durante a Guerra do Sol, cinqüenta homens com uma corda, tentando arrancar a coluna da verdade, ficando como uma agulha no pescoço da Terra."
Trecho de "Xarab fica"

Links das reportagens: 
A seguir, confira trechos do pensamento de Ernesto Araújo:... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/11/14/anti-pt-contra-o-globalismo-e-autor-de-ficcao-o-que-pensa-o-futuro-chefe-do-mre.htm?cmpid=copiaecola
A seguir, confira trechos do pensamento de Ernesto Araújo:... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/11/14/anti-pt-contra-o-globalismo-e-autor-de-ficcao-o-que-pensa-o-futuro-chefe-do-mre.htm?cmpid=copiaecola

domingo, 7 de abril de 2019

Política e literatura

Manuela d'Ávila com o livro descrito.
A jovem guerrilheira Manuela d'Ávila com o livro “Meu Velho Guerrilheiro” (Editora Jaguatirica) em mãos. Duas gerações, a mesma luta por um Brasil livre e igual para todos pois ler é também resistir.

Outra opção é o historiador Gustavo Alonso, autor da biografia "Simonal: quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga" com seu livro "Cowboys do asfalto" (Civilização Brasileira), sobre o sucesso da música sertaneja no Brasil e o preconceito contra o gênero musical.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Resistindo ao fascismo (parte 2)

Lenin e Clara Zetkin.
Uma das raízes do fascismo está no retardamento da revolução mundial pela atitude traiçoeira dos líderes reformistas. Grande parte da pequena burguesia, incluindo até as classes intermediárias, sob condições favoráveis, cultivam certa simpatia pelo socialismo reformista, esperando que este provoque algumas reformas sociais por vias democráticas. Ficaram, no entanto, desapontados em suas esperanças. A pequena burguesia e as classes intermediárias podem agora ver que os líderes reformistas estavam em acordo benevolente com a grande burguesia, e o pior de tudo é que elas perderam a fé não apenas nos líderes reformistas, mas no socialismo como um todo. Essas massas de simpatizantes socialistas decepcionados são acompanhadas por grandes círculos do proletariado, de trabalhadores que desistiram de sua fé não apenas no socialismo, mas também em sua própria classe. O fascismo se tornou uma espécie de refúgio para os politicamente sem abrigo. Para ser justo, deve-se dizer que os comunistas também levam parte da culpa pela deserção desses elementos para as fileiras fascistas, porque nossas ações, por vezes, não conseguiram agitar as massas profundamente o suficiente. O objetivo óbvio dos fascistas, ao ganhar apoio entre os vários elementos da sociedade, seria, naturalmente, tentar superar o antagonismo de classe nas próprias fileiras de seus adeptos, e o chamado Estado autoritário deveria servir como um meio para esse fim.

Depois da crise, a burguesia quer reconstruir a economia capitalista. Nas atuais circunstâncias, a reconstrução da dominação de classe burguesa só pode ser conseguida às custas da exploração impiedosa do proletariado pela burguesia. A burguesia tem plena consciência de que os socialistas reformistas de fala mansa perderam gradativamente seu controle sobre o proletariado, e que não haverá nada para a burguesia, mas recorrer à violência contra o proletariado. Eles precisam, portanto, de uma nova organização de violência, e isso é oferecido a eles pelo confuso conglomerado do fascismo.

Baseado no texto "Fascismo" de Clara Zetkin, escrito em 1923, adaptado pela página A Moral Revolucionária (no facebook) às condições históricas atuais.

sábado, 3 de novembro de 2018

Fascismo nas nossas escolas

Ana Caroline Campagnolo.
(...) Além de retirar as frases, a deputada eleita terá de se abster de criar, manter, incentivar ou promover qualquer modalidade particular de serviço de denúncia das atividades de servidores públicos, o que, segundo a decisão, é atividade própria das ouvidorias criadas pela administração pública.

“Pode-se afirmar que está em cena a liberdade de expressão em sala de aula e, ainda, o direito da criança e do adolescente, de alunos da rede escolar do Estado de Santa Catarina, ao ensino guiado pelos princípios constitucionais da liberdade de aprender e ensinar e do pluralismo de ideias e de concepções”, afirmou o juiz Giuliano na decisão. (...)

O porquê disso? A deputada eleita pelo PSL, Ana Caroline Campagnolo, ficou conhecida ao pedir que alunos filmem os professores em sala de aula e para quem ainda não entendeu ISSO é fascismo. Ana Campagnolo é uma típica política reacionária semelhante a Sarah Palin e a denuncia surgiu porque ela pediu aos alunos que filmassem os professores em sala de aula para que eles pudessem entregá-los aos bolsonaretes patrulhar ideologicamente escolas e universidades por causa do Gay Kit. A tal ex-professoa aparece como anti-petista, mas mora em um apartamento financiado por um programa de PT: o Minha Casa, Minha Vida.

Essa é a dica que esse blog dá a todos os bons alunos.

Esse tipo de comportamento controverso é defendido por pessoas ainda mais suspeitas como Olavo de Carvalho que cita: 

A Ana Caroline Campagnolo foi um pouco inábil ao lançar o seu apelo, mas em substância ela tem razão. Esses malditos professores comunistas estão exigindo um absurdo e obsceno DIREITO AO SIGILO EM SALA DE AULA. Filmar, gravar, mostrar ao mundo o que eles dizem, ah, isso não, isso nunca! Que caralho esses pústulas estão escondendo? Devemos subsidiar com os nossos impostos sabe-se lá quais segredinhos entre homens adultos e sua platéia cativa infanto-juvenil?
 

Os que se voltam contra a Caroline, fazendo-se de vítimas e coitadinhos, só provam com isso sua MENTALIDADE CRIMINOSA. Entregar crianças e adolescentes à autoridade desses tipos é um risco maior do que deixar que se eduquem a si mesmas nas ruas.

Em outra fala divulgada noutra página cita: 

"O nivel de imbecilidade é aterrador. Fanatismos se chocam entre si e a poeira levantada impede não apenas o diálogo, mas que se percebam a si próprios tanto quanto aos outros. Cada um se agarra ao seu preconceito ou idolatria favoritas e espumam de raiva entusiástica mas, no final da farrandola, vão ter de se encarar estropiados diante de um espelho quebrado. É cansativo e decepcionante assistir esta briga de cães raivosos segurando bandeiras amarradas nos olhos." Reflexão de um doutor em filosofia...

Olhe bem a foto...
Vamos ver se entendemos o que está sendo proposto, a volta ao Macartismo? Ou à prática de acusar alguém de subversão ou de traição. O termo tem suas origens no período da História dos Estados Unidos conhecido como segunda ameaça vermelha, que durou de 1950 a 1957 e foi caracterizado por uma acentuada repressão política aos comunistas, assim como por uma campanha de medo à influência deles nas instituições estadunidenses e à espionagem por agentes da União Soviética. (fonte Wikipédia) pois em meio ao desespero que muitos coxinhas, direitosos apresentam desde 2013, em que o Brasil se transformaria numa ditadura como a Venezuela entregou o nosso país ao pior tipo de gente ligado ao messianismo neopentecostal, declaradamente em guerra com a Igreja Católica e seus seguidores, ao sionismo internacional, que não quer outra coisa, senão alinhar os interesses do país a guerra ensandecida entre radicais judeus e islâmicos onde nenhum dos lados jamais irá abandonar qualquer resolução de ter Jerusalém como capital e cidade sagrada das religiões sitiantes.

Vale lembrar de que coisas como Kit Gay, assim como Escola sem partido ou até ensino religioso nas escolas públicas não são nem bem-vindas como não são incentivadas nesse blog e nem pelos autores deste.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Guia de como sobreviver ao fascismo

Uma verdade universal... aguardemos!
1. Em primeiro lugar, calma. O medo é natural e inevitável. O importante é evitar o segundo estágio: o pânico. Porque o pânico gera ações irracionais que só agravam o problema da segurança. Reconheça as ameaças, mas não aumente o valor delas. Não difunda videos que mostrem o adversário em posição de superioridade. Exceto se for para denunciar uma violência que você sabe ser real. Não difunda mensagens pessimistas e de medo. Nem bazófias autossuficientes de heróis de teclado que nada farão. Seja discreto.

2. Se possível saia de algumas redes sociais. Informe-se com os companheiros anarquistas sobre segurança digital. Se tiver que usar para trabalhos escolares ou relações pessoais, não poste coisas polêmicas, mas também não fique em grupos emq ue haja fascistas declarados. Eles sabem sua opinião, vão provocá-lo. Mesmo se for um parente seu, pode inadvertidamente denunciar você para alguém que conhece seu patrão, por exemplo.

3. Não faça atividade política sozinho. Não vista roupas com mensagens revolucionárias sozinho. Não aceite provocações na rua. Especialmente em bares e festas. Ali, todos poderão estar animados por drogas para exercitar mais a violência. Mas, de novo, também não fique em pânico. Fascistas são covardes. Não agridem sozinhos, apenas em bandos. Desvie de bandos. Não rebata ofensas, mas não se deixe humilhar. Vá embora. Não ameace ninguém. Se preciso, pode se vingar, mas não avise antes, por supuesto.

4. Faça reuniões mensais com pessoas que pensam como você. Isso reforça a sensação de que não está só. Busque alegria em jantares e pequenas festas. Evite as grandes. Seja solidário com companheiros perseguidos, mas faça como Cristo manda: ninguém precisa saber que você ajudou.

5. Sem prejuízo de outros, leia livros de quem enfrentou o fascismo: Durruti, Stalin, Trotsky, Gramsci, Dimitrov e, especialmente, Togliatti. Não tenha preconceito ideológico agora. Só com a extrema direita.

6. Cuide da saúde física também. Faça algum esporte leve pelo menos. Caminhada, bicicleta. Sinta o vento ao rosto. Beba com moderação. Encha a cara de vez em quando com os amigos. De preferência em locais já bem conhecidos.

7. O fascismo no Brasil vai ficar por algum tempo na sua primeira fase. Aquela de Mussolini entre 1922 e 1926. Com parlamento funcionando, mas com violências dispersas, perseguições, delações, achincalhamento virtual, invasão de espaços culturais e universitários por bandos de energúmenos, agressões físicas, repressão a manifestações públicas e assassinatos de pobres na periferia. Eu sei que isso já acontecia, mas agora é outro patamar. Mas haverá espaço para crítica e este é o problema que comentaremos no pŕoximo item.

8. O espaço de crítica tem que ser usado com cuidado. Os fascistas marcarão o que você diz. Se considerarem que ameaça seu poder, reagirão. Por isso, apareça menos. Procure reforçar suas ideias lateralmente, com temas menos explícitos. Participe de instituições de sua categoria mesmo dirigidas por reacionários e observe. No cotidiano, converse com as pessoas sem agressividade. Ouça. Avalie seu interlocutor. Se ele for militante fascista, abandone-o. Se for um apoiador indeciso, introjete em sua mente conteúdos críticos. Para que ele vá além da aparência. Dialética é isso. Diálogo mais contradição. Não há ideologia sem o seu contrário. E se for uma pessoa democrata, busque consensos em torno disso, como explicarei no próximo item.

9. Uma derrota histórica da esquerda, joga também os liberais e conservadores democratas no mesmo terreno que nós. Assim como o golpe de 2016 fez a classe trabalhadora recuar e abandonar as novas formas de ação política, agora ela vai se agarrar ao mínimo comum: a democracia que lhe garante um terreno para defender os seus direitos. Com os trabalhadores devemos falar de democracia e economia porque eles são mais inteligentes. Com a pequena burguesia democrática devemos falar de democracia porque além disso teremos divergências inoportunas.

10. Nada está perdido. Confie na história. Já houve momentos piores. Estamos num ciclo recessivo associado à derrota de um ascenso político de esquerda. Leia poemas e mensagens otimistas de Mao, Ho Chi Minh, Brecht, as Instruções para esquivar o mau tempo de Paco Urondo e outros. Cuidado ao portar livros porque fascistas não leem e desconfiam de leitores. Use capas anódinas, cobertas de outro papel. Mas não desista, o fascismo é em si mesmo uma reação desesperada de uma classe agonizante. Parece eterno. Não é. Será derrotado como o foi em todas as outras ocasiões da história.

Alex Prouchnoj