quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O dia das bruxas na Espanha

A frase é um dito popular em castelhano — «No creo en brujas, pero que las hay, las hay» —, ao qual se atribui origem "galega". Com efeito, a figura da bruxa (ou da "meiga", como se diz em galego) está muito arreigada na Galiza, pelo que a forma original da frase, é «eu non creo nas meigas, mais habelas hainas» («Nom creio nas bruxas, mas have-las, hai-nas» na versão reintegrata).

Este dito pode ter chegado até à língua portuguesa por via popular, pelo contacto (no Brasil ou em Portugal) entre falantes de castelhano e galego, por um lado, e português, por outro. Outra hipótese é a de que tenha surgido por via literária, por exemplo, através do famoso escritor espanhol de origem basca Miguel Unamuno, que manteve laços estreitos com os meios intelectuais de língua portuguesa de início do século XX.


Note-se que as histórias e lendas acerca de bruxas têm, em Espanha, particular incidência no Norte, por exemplo, nas regiões da (já referida) Galiza e de Navarra. Sobre este assunto, e em ligação com a história da Inquisição, leiam-se as obras Las Brujas y Su Mundo (1961) e Vidas Mágicas e Inquisición (1967), de Julio Caro Baroja. Também
 El Bosque Encantado, em memória de Maria Solino, a bruxa de Cangas.

domingo, 28 de outubro de 2018

Canções de resistência

"Palavra e som são meus caminhos pra ser livre
E eu sigo, sim
Faço o destino com o suor de minha mão
Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa
E não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza
Sempre é dia de ironia no meu coração

Tenho falado à minha garota
Meu bem, difícil é saber o que acontecerá
Mas eu agradeço ao tempo
O inimigo eu já conheço
Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço
A voz resiste. A fala insiste: Você me ouvirá
A voz resiste. A fala insiste: Quem viver verá"


(Não leve flores, Belchior) 

"Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo capitão de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o c* na mão"

(Renato Russo)

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação... 


( Legião urbana)

domingo, 21 de outubro de 2018

Unlisted words ou palavras que não se acham em dicionários de inglês

Em anos vividos na Inglaterra ou EUA, nunca se ouve ninguém dizer alguma palavra equivalente às versões portuguesas que se seguem abaixo. No entanto, a primeira não pode ser tão universal como "aniversariante". Todo ser humano, é um aniversariante uma vez por ano e comemorar ou ao menos lembrar desta data é algo que quse toda humanidade faz. Mas como chamar em inglês, em sua data, a pessoa que aniversaria? Somente se for a longa frase the one who is having or her birthday.

"Despachante" como "quebra-galho" informal de tudo quanto é repartição pública a serviço de pessoas que, necessitando solução a problemas borocráticos, recorrem a ele para desatar nós, mediante pagamento (ao despachante) e propina (ao facilitador). Existem termos para despachantes alfandegários (customhouse brokers), despachantes de companhias de navegação (shipping/forwarding agents). Mas o despachante informal e autônomo, de porta de repartição, é cria da cultura burocrática brasileira cujo nome da atividade não existe em inglês. Existe o "quebra-galho" em geral e não existe o chamado "despachante" - é o trouble-shooter.

Para "madrugada", existem a.m., early morning (manhã cedo), dawn/daybreak (amanhecer), early/small hours (1 a 4 horas da madrugada/manhã), mas uma palavra específica equivalente a "madrugada" não existe em inglês.

domingo, 14 de outubro de 2018

Enxertos da língua galega

Padre Feijóo.
Pe Feijóo opina: "a língua lusitana e a língua galega são o mesmo" (I, 14: 1726); "Que a língua lusitana ou galega seja considerada um dialeto separado da língua latina, e não um subdialeto ou corrupção da língua castelhana" (XV); e também: "o lusitano, em que eu noto, deve incluir a língua galega, como de fato indistinta dos portugueses, por ser muito poucas vozes em que discordam e a pronúncia das letras em todas as semelhantes, e assim os indivíduos são perfeitamente compreendidos das duas nações, sem alguma instrução antecedente ".


Pe. Sarmento
Padre Sarmento"a pura língua portuguesa não é outra senão a extensão do galego" (1755.1974: 30); "Não assim que os portugueses; pois, como tinham seu próprio monarca, introduziram nos escritos públicos e privados esse primitivo vulgar, comum às duas classes de lucenses galegos e bracharenses; A qualificação, com o tempo e com o exercício da própria escrita, foi feita como um dialeto diferente, e é o que hoje chamamos de português; embora ainda tenha tanta semelhança com o vulgar galego, que hoje se fala, que nem todos sabem discernir. (1775: 465, 202) ".

sábado, 13 de outubro de 2018

Poemas, canções e citações sobre as eleições de outubro

"Não sei por que todos me adoram se ninguém entende as minhas idéias." (Albert Einstein)
"A juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, mas a estupidez dura para sempre." (Aristófanes)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Resistindo ao fascismo

Meninos sem Pátria, de Luiz Puntel
Depoimento de um usuário do facebook confirma os tempos difíceis  que vem por aí...

Hoje fiquei sabendo que o Colégio Santo Agostinho deixou de utilizar o livro “Meninos sem Pátria”, de Luiz Puntel, por conta da pressão de pais de alunos acusando que a obra defendia posições de esquerda. O livro foi baseado na história da minha família, em que meus pais, com 7 filhos pequenos, tiveram que fugir da ditadura brasileira e chilena para sobreviverem.

Sem ser uma obra de objetivos políticos ou ideológicos, a história defende a democracia e relata o sofrimento das pessoas que foram perseguidas pelas ditaduras militares, apenas pelo que pensavam. Estamos vivendo momentos tenebrosos com pessoas defendendo este período nefasto da nossa história, inclusive um candidato a presidente.

Não nos dobraram antes, não irão nos dobrar agora!

A vida é feita de lutas!
Democracia sempre!!!

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domingo, 16 de setembro de 2018

As histórias de R. Töpffer

A história começa quando o pesquisador André Caramuru Aubert leu no jornal o nome Rodolphe Töpffer (1799-1846), foi até a estante que continha os livros que seu avô trouxera da Europa para o Brasil e descobriu um tesouro para os entusiastas das histórias de quadrinhos. No móvel havia a primeira edição de "Histoire de Monsieur Jabot".  Desenhada em 1831 pelo suíço Töpffer e publicada em 1833, e é considerada uma das primeiras HQs do mundo.

"Töpffer era pintor mas teve um problema ocular, preferindo as linhas feitas a pena", diz Aubert. Jabot é um homem atrapalhado de classe média que busca lugar na alta sociedade, para isso chamando a atenção como pode. Ele visita um baile, discute com os presentes e dança com as mulheres.
Töpffer diz: 'Após as saudações, M. Jabot volta à sua posição'

O pesquisador diz que a ausência de balões poderia tirar de "Monsieur Jabot" o título de primeira HQ do mundo, mas afirma que o trabalho é "com certeza, o primeiro quadrinho longo". "Töpffer inventou as graphic novels."

Destacamos abaixo os dois volumes publicados pela SESI-SP:

Monsieur Cryptogame foi uma das primeiras histórias a ser desenha por Töpffer. Em fins de 1830, quando o autor arriscou enviar um álbum para Goethe, Weimar, Cryptogame foi o escolhido. A recepção entusiástica do velho poeta alemão não fez com que Töpffer o publicasse naquele momento, mas teve uma grande parcela de responsabilidade por tudo o que veio depois em sua obra. Três anos depois, Monsieur Jabot entrou para a história como a primeira HQ publicada, vieram outros álbuns, até que em 1844 foi publicado, finalmente Monsieur Cryptogame. Mas esta HQ ainda carrega outra marca de pioneirismo: quando o jornal L’Illustration surgiu em Paris, em 1843, inaugurando a imprensa ilustrada na França, Cryptogame foi a história em quadrinhos escolhida para aparecer em suas páginas, de maneira serializada. Assim, se as tirinhas nos jornais têm uma história, ela começa bem aqui.

Em sua detalhada apresentação, Caramuru relata toda a história do aparecimento dos volumes em suas mãos, justifica a denominação de Töpffer como o criador da primeira HQ, que, entre outros pontos, era diferente de tudo o que já havia sido feito até então. Constam ainda excertos das cartas de Goethe com comentários sobre os álbuns que recebeu de Töpffer. As palavras elogiosas do poeta foram propulsoras para que o autor decidisse publicar seus trabalhos e prosseguisse para a impressão em larga escala. “O que Töpffer criou foi algo, de fato, inédito. As suas histórias, como muitos dos quadrinhos atuais, se parecem com storyboards de filmes. Ou seja, o que ele estava criando era de fato uma nova linguagem, na qual a imagem se punha em movimento e se integrava perfeitamente ao texto, sem que um fosse mais importante do que o outro. E Töpffer sabia o que estava fazendo, com plena consciência do ineditismo de seu trabalho. Tanto que teve muito cuidado antes de publicar, fazendo-o apenas anos depois de ter desenhado o primeiro álbum, e somente quando se sentiu suficientemente endossado”, afirma Caramuru.